
O ex-ministro Marco Aurélio Mello, que já comandou a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), fez duras observações sobre a postura de Alexandre de Moraes, sugerindo que a Corte atravessa um momento marcado por exageros e resoluções que, em sua visão, carecem de lógica.
Para ele, as decisões tomadas por Moraes ultrapassam os limites estabelecidos pelo Estado Democrático de Direito e, com o tempo, deverão ser revisitadas e julgadas pela própria história.
“Eu não queria estar na pele do ministro Alexandre de Moraes. Ele não consegue sair, estar num lugar público, a não ser com contingente de seguranças. Quando isso se verifica, algo está errado. E cumpre aquele que é alvo da hostilização da sociedade observar os atos praticados se evoluir. E vou repetir: resulta no prejuízo da instituição e, mais à frente, a história cobrará esses atos praticados. Ele (Moraes) proibiu, por exemplo, diálogos. Mordaça, censura prévia, em pleno século que estamos vivendo. É incompreensível”, declarou o ex-ministro.
O ex-integrante mais antigo do Supremo também ironizou o comportamento do atual ministro, sugerindo que uma compreensão verdadeira de suas motivações exigiria uma abordagem quase terapêutica. “Seria preciso colocá-lo em um divã”, disse, insinuando que a atuação de Moraes tem um traço autoritário que acaba manchando a imagem do Judiciário.
Segundo Marco Aurélio, esse tipo de conduta, longe de proteger a instituição, pode gerar reações negativas tanto da sociedade quanto do futuro, quando os atos presentes forem revisitados sob uma ótica histórica.