Motta diz que vai priorizar projeto contra ‘adultização’ de crianças após vídeo de Felca

Presidente da Câmara quer acelerar proposta que pune aliciamento de menores nas redes sociais

14/08/2025 às 12h20
Por: Natália Raquel
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 Hugo Motta. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Hugo Motta. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quinta-feira (14) que levará à próxima reunião do colégio de líderes, marcada para terça-feira (19), o pedido de urgência para votação do Projeto de Lei 2.628/2022. A proposta cria o chamado “ECA Digital”, um conjunto de normas voltadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.

De autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e relatado na Câmara pelo deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI), o texto prevê punições mais duras para aliciamento e exposição indevida de menores nas redes sociais.

Segundo Motta, a repercussão do vídeo do influenciador Felca, que denunciou casos de exposição precoce de crianças na internet, acelerou a mobilização em torno do tema. O parlamentar classificou o projeto como “inadiável” e disse ter sido pessoalmente impactado pela denúncia.

— Mexeu comigo não como político, mas como pai de duas crianças — afirmou, em entrevista à GloboNews. — É preciso dar uma resposta à altura da sociedade brasileira, que exige a proteção de nossas crianças e adolescentes no mundo digital.

Comissão geral e grupo de trabalho mantidos

Apesar da intenção de acelerar a tramitação do projeto, Motta informou que a comissão geral especial e o grupo de trabalho sobre o tema estão mantidos. A primeira reunião do colegiado está marcada para a próxima quarta-feira (20). O grupo ouvirá parlamentares, especialistas, técnicos e representantes da sociedade civil.

Desde a publicação do vídeo de Felca, a Câmara passou a reunir dezenas de propostas legislativas relacionadas ao combate à “adultização” de menores. Deputados também articulam um pedido para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Caso Hytalo Santos

O tema ganhou força após a denúncia de Felca, que mencionou o influenciador Hytalo Santos, investigado pelo Ministério Público da Paraíba. Ele é suspeito de explorar menores que vivem com ele e expor sua rotina nas redes sociais.

Uma das jovens envolvidas, conhecida como Kamylinha, chegou a anunciar gravidez do irmão de Hytalo. Posteriormente, o influenciador comunicou a perda do bebê. O caso se agravou após relatos de que outras adolescentes sob sua tutela também estariam grávidas.

A investigação é conduzida pela promotora Ana Maria França, que apura se houve abuso ou exploração sexual de vulneráveis. O inquérito está em andamento desde dezembro do ano passado.

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