Por que os programas infantis não podem ter anunciantes? Entenda

A ausência de anunciantes nesse segmento tem sido um dos principais entraves para manter ou retomar atrações voltadas ao público infantil na TV aberta

14/08/2025 às 14h11 Atualizada em 14/08/2025 às 14h14
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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 Reprodução: SBT
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Durante décadas, programas infantis foram peças-chave na programação das emissoras brasileiras, formando gerações de telespectadores. No entanto, o cenário mudou radicalmente. A ausência de anunciantes nesse segmento tem sido um dos principais entraves para manter ou retomar atrações voltadas ao público infantil na TV aberta.

A mudança começou com a regulamentação mais rígida da publicidade voltada a crianças, como a Resolução nº 163 do Conanda e orientações do Ministério Público, que consideram abusiva a veiculação de anúncios que aproveitam a vulnerabilidade infantil para estimular o consumo. Essa limitação reduziu drasticamente a rentabilidade dessas produções, afastando empresas que antes investiam pesado nesse tipo de conteúdo. Além disso, a concorrência com plataformas de streaming e canais online, que oferecem conteúdo sob demanda e maior liberdade criativa, diminuiu ainda mais o interesse das emissoras tradicionais.

Outro fator é a mudança no perfil do público-alvo: crianças e adolescentes migraram em peso para o YouTube, TikTok e serviços de streaming, onde o consumo é fragmentado e personalizado. Isso torna mais difícil para a TV aberta competir pela atenção desse público e atrair patrocinadores dispostos a investir em formatos tradicionais.

Trazer de volta os programas infantis para a TV exige investimento em conteúdo seguro, educativo e atrativo, além de novas estratégias de monetização, como parcerias com marcas em ações indiretas, licenciamento de produtos e integração com o ambiente digital. No entanto, o maior desafio é reconstruir a confiança dos anunciantes, que hoje estão mais atentos à imagem associada a seus produtos.

Nesse contexto, casos como o do influenciador Hytalo Santos funcionam como um exemplo negativo. Envolvido em comportamentos e conteúdos inapropriados, ele evidencia o risco de atrelar marcas a figuras públicas que não mantêm condutas compatíveis com o público infantil. Situações assim reforçam o receio dos patrocinadores em investir nesse segmento, já que qualquer associação indevida pode gerar crises de imagem e perdas financeiras.

Assim, para que a programação infantil volte a ter espaço na TV aberta, as emissoras precisam não apenas adaptar-se ao novo cenário tecnológico e legal, mas também garantir ambientes seguros e confiáveis — tanto no conteúdo quanto nas figuras que se tornam referência para as crianças. Sem isso, dificilmente os anunciantes se sentirão motivados a investir novamente.

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