
A Polícia Federal (PF) convocou o cuidador dos cavalos do prefeito afastado de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), para depor nas investigações de corrupção que envolvem a atual gestão municipal. Graciano Morais Filho, conhecido como Neno, deve esclarecer a origem dos animais que teriam sido presenteados ao político por um amigo.
Na quinta-feira (6), Manga foi alvo da operação Copia e Cola, deflagrada pela PF para apurar irregularidades em contratos da saúde na prefeitura. Com mais de 3,8 milhões de seguidores no Instagram e 3,3 milhões no TikTok, o prefeito — apelidado de “prefeito TikTok” — foi afastado do cargo por seis meses e está proibido de ter contato com servidores municipais.
Graciano é responsável pelo haras no bairro de Iporanga, onde ficam os dois cavalos da raça Mangalarga Marchador pertencentes a Manga e à primeira-dama, Sirlange Rodrigues Frate Maganhato. Ela é cunhada do bispo Josivaldo Souza, preso durante a operação da PF. O amigo de infância do prefeito, o empresário Marco Silva Mott, também foi detido — na casa dele, a polícia apreendeu dinheiro vivo e relógios de luxo.
Fã declarado de cavalos, Manga costuma ser visto cavalgando por Sorocaba. Ao portal Metrópoles, Graciano disse que o prefeito visita o haras uma vez por mês e negou qualquer vínculo direto entre ele e o local. O cuidador afirmou ainda que não foi intimado, mas pretende colaborar com as investigações.
O próprio Manga anunciou seu afastamento nas redes sociais, em vídeo publicado no TikTok. Gravado em Brasília, ele sugeriu que a decisão judicial teria motivação política e evitou citar as investigações sobre desvio de verbas e a prisão do cunhado.
Acredite se quiser, me afastaram do cargo de prefeito [...] O que a gente ouve de bastidores é que tentam tirar do jogo qualquer um que ameaça a candidatura deles.
Em nota, a PF informou ter cumprido dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de cerca de R$ 6,5 milhões em bens de investigados. As suspeitas incluem corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal.
A operação é um desdobramento da Copia e Cola, iniciada em abril, que investiga um esquema de desvios de recursos públicos na área da saúde por meio de contratos emergenciais e convênios com organizações sociais.
Manga já era réu em outra ação por improbidade administrativa, sob suspeita de superfaturamento de R$ 11 milhões na compra de lousas digitais. Ele também é investigado por suposto recebimento de propina em contratos de gestão de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Sorocaba.