
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) buscou acalmar o vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), após as declarações dele contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) terem provocado tensão na gestão municipal. Em conversa reservada, Nunes afirmou que o governador “sempre reconheceu o trabalho” do vice na segurança e na zeladoria urbana. O prefeito chegou a dizer: “Te dou minha palavra”.
A crise ganhou força depois que Mello Araújo classificou como “grande enganação” falas de Tarcísio sobre avanços na Cracolândia. As declarações surgiram após reportagem da TV Record exibir o governador atribuindo progresso na região ao Estado. O vice, responsável por operações de zeladoria e ordenamento urbano no centro, considerou que o governo estadual estaria “pegando carona” no trabalho da prefeitura.
O mal-estar aumentou quando Mello disse à Jovem Pan que Tarcísio teria dado um “golpe fatal” em Nunes ao não convidá-lo para participar da gravação da reportagem exibida pela emissora.
Nunes contestou a versão. Ele afirmou à mesma rádio que foi avisado préviamente, mas não pôde participar no horário definido pela equipe. Disse ter aparecido apenas no período da noite, em uma unidade de acolhimento. Segundo o prefeito, durante a gravação, mencionou o trabalho conduzido pelo vice, pela Polícia Civil, pela Guarda Civil Metropolitana e pelas equipes de saúde e assistência social. Trechos, segundo ele, foram suprimidos pela edição.
Os atritos ocorrem às vésperas da eleição municipal de 2024. A disputa por protagonismo na Cracolândia voltou ao centro do debate. De um lado, Tarcísio tenta reforçar ações de segurança e tecnologia. De outro, Nunes busca evidenciar avanços de zeladoria, acolhimento e reorganização urbana.
Aliados avaliam que a conversa promovida pelo prefeito teve como objetivo conter danos e evitar que a relação com o governador, considerada essencial para sua campanha, fosse comprometida.