Lula planeja reunião com Trump para amenizar crise militar entre EUA e Venezuela

No G20, presidente expressa preocupação com movimentação bélica dos EUA e diz que Brasil tem responsabilidade regional

24/11/2025 às 11h56
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump - Reprodução: Ricardo Stuckert/PR
Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump - Reprodução: Ricardo Stuckert/PR

O chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou no domingo (23) que planeja dialogar com o presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), a respeito da escalada de atritos entre a nação dos Estados Unidos e a Venezuela. Essa manifestação foi feita durante seu pronunciamento na cúpula do G20, em Joanesburgo, na África do Sul.

Lula expressou estar “muito preocupado” com a conjuntura e declarou que o Brasil, devido à sua fronteira com a Venezuela e seu papel na região, buscará persuadir Trump a retroceder. “Eu estou muito preocupado e gostaria que não acontecesse nada, nada militarmente na América do Sul”, assegurou ele.

Trump tem movimentado equipamento bélico para as proximidades da Venezuela, alegando a necessidade de combater o comércio de entorpecentes. O governo dos EUA afirma que Nicolás Maduro estaria à frente do chamado Cartel de los Soles — um suposto esquema de tráfico de drogas imputado a oficiais militares venezuelanos, o que Maduro refuta.

Apesar dos desentendimentos, Maduro não demonstrou intenção de entrar em confronto com as forças americanas. Em várias ocasiões, ele solicitou harmonia e chegou a cantar “Imagine”, de John Lennon, durante um evento oficial em Miranda, no dia 15 de novembro.

A Venezuela sob a gestão de Maduro

A Venezuela vive sob um sistema autoritário conduzido por Nicolás Maduro, de 63 anos. O território carece de liberdade de imprensa e adversários políticos podem ser encarcerados por “crimes políticos”. A Organização dos Estados Americanos (OEA) já considerou “ilegítima” a designação do Conselho Nacional Eleitoral, em 2021. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos documentou transgressões em relatórios divulgados em 2022 e 2023.

Um levantamento da Human Rights Watch sinaliza que 7,1 milhões de venezuelanos deixaram o país desde 2014. Maduro, no entanto, nega que exista uma ditadura, e afirma que “há eleições regulares” e que a oposição “não consegue vencer”.

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