
O cantor João Gomes abriu o coração ao falar sobre o preconceito que sofreu ao longo da carreira. Durante entrevista à GQ direto de Las Vegas, nos Estados Unidos, onde recebeu o Grammy Latino pelo projeto “Dominguinho”, o pernambucano contou que teve de aprender a lidar com o sucesso e também com comentários ofensivos ligados à sua origem.
Ao lembrar o lançamento do álbum que o consagrou na categoria “Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa”, João disse que já esperava a boa recepção do público. Mesmo assim, admite que parte das pessoas sempre rejeita os ritmos que ele representa. “Dois ritmos que até hoje sofrem muito preconceito”, afirmou, ao citar o piseiro e o forró.
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Em seguida, o cantor relembrou um episódio que o marcou profundamente. Durante um ensaio em um dia muito quente, alguém fez uma “brincadeira” que escancarou o preconceito. A pessoa perguntou se sua equipe não estava acostumada a sentir sede e calor por ser nordestina. “Pensei: ‘Caramba, velho, foi isso mesmo?’”, desabafou João, destacando como situações assim ainda são comuns.
Para ele, a resposta a esse tipo de ignorância está na própria arte. João citou Gonzagão para reforçar a importância da resistência cultural e disse que pretende seguir falando de forma positiva sobre sua terra e sua gente:
Sempre vão nos menosprezar por causa da ignorância. As pessoas pensam que, de onde viemos, é só mato.
O cantor também revelou que a maturidade para lidar com os desafios do meio artístico veio após um grande processo de reorganização emocional. Ele contou que buscou terapia e acompanhamento psiquiátrico, o que transformou sua relação com a carreira.
Estou em uma vibe muito positiva sobre o meu futuro. Sinto que tem um bocado de coração conectado ao meu.
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