Mulher trans se suicida após tentar passar pela ‘cura gay’ e pastor envolvido é denunciado pelo Ministério Público

Denúncia foi formalizada pela deputada Erika Hilton e pela vereadora Amanda Paschoal e enviada ao MP

14/11/2024 às 14h08 Atualizada em 14/11/2024 às 14h15
Por: Karine - Redação
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Reprodução/Instagram
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Uma moça transsexual de 22 anos identificada como Letícia, tirou a própria vida após tentar passar pelo processo de ‘destransição’ e ‘cura gay’. O líder religioso que promoveu o ato, um homem chamado Flávio do Amaral, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por crimes de tortura e transfobia. A deputada Erika Hilton (PSOL) e a vereadora Amanda Paschoal (PSOL) foram as delatoras da denúncia.

Morador de Itanhaém, no litoral de São Paulo, Flávio é pastor da igreja evangélica Ministério Liberto por Deus e em suas redes sociais se apresenta como um ‘travesti curado’. De acordo com a denúncia, em seus cultos, o pastor pregava a possibilidade da ‘cura gay’. “Muita fé, jejum e oração”, diz a investigação sobre o seu lema.

Após o suicidio de Letícia, ocorrido em 27 de setembro deste ano, Flávio fez diversas publicações em suas redes e em uma dessas, relacionou a morte à homossexualidade e disse ter obrigado a vítima a ficar de jejum após ela confessar que tinha se apaixonado por um homem.

Em comunicado, os advogados dele, Jean Paulo Pereira e Florentino Rocha Conde, disseram que o pastor não teve participação direta na morte da jovem. Eles reforçaram que o cliente não defende nenhuma prática fraudulenta de “cura”.

Além da “destransição”, as parlamentares citaram que o pastor disseminou discurso de ódio ao vincular a orientação sexual e identidade de gênero da comunidade LGBTQIA+ às maldições e abominações. Segundo elas, os fatos configuram possível prática de crime de transfobia. As atitudes de Flávio ainda se encaixam em crime de tortura. A denúncia segue em processo e o acusado ainda poderá recorrer.

 

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