
A imprensa europeia dedicou amplo espaço nesta quarta-feira (26) ao início do cumprimento das penas de Jair Bolsonaro e de seis aliados condenados pela trama golpista de 2022. Com o trânsito em julgado confirmado pelo Supremo Tribunal Federal, veículos da França, Portugal, Reino Unido e Espanha destacaram o peso histórico da decisão e os desdobramentos políticos no Brasil.
O francês Le Monde estampou que “Bolsonaro vai cumprir sua pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado” e lembrou que o julgamento envolve um projeto que teria previsto até o assassinato de Lula. A France24 reforçou que o ex-presidente foi considerado culpado por liderar uma organização criminosa destinada a mantê-lo no poder após a derrota eleitoral, além de detalhar que ele está detido em uma cela de 12 metros quadrados na sede da Polícia Federal em Brasília.
Em Portugal, o jornal Público recordou que Alexandre de Moraes decretou o fim dos recursos e mencionou que Bolsonaro já estava preso desde sábado por risco de fuga, depois de tentar retirar a tornozeleira eletrônica usada para monitoramento. Já o britânico The Guardian destacou que outros aliados, como os generais Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, também começaram a cumprir suas penas.
A publicação britânica ainda trouxe análises contrastantes: de um lado, brasileiros progressistas celebrando o que chamam de “período calamitoso” deixado para trás, marcado por devastação ambiental e gestão catastrófica da pandemia; de outro, apoiadores do ex-presidente falando em “caça às bruxas”, embora sem sinais de mobilização em massa, já que apenas pequenos grupos têm se reunido para rezar em frente à sede da PF.
O espanhol El País afirmou que “chegou o momento com o qual sonharam muitos democratas brasileiros”, lembrando que nem o lobby da família Bolsonaro por uma anistia no Congresso, nem a pressão do presidente americano Donald Trump foram capazes de evitar a prisão, vista como um marco no enfrentamento a tentativas de subversão da ordem constitucional.