
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou repercussão com declarações fora do usual durante a cerimônia de recebimento do título de Doutor Honoris Causa em Maputo, Moçambique, na segunda-feira (24). Em um discurso emocionado e engajado, onde criticou a fome no mundo e a falta de justiça social, o presidente fez uma promessa enfática de luta contínua, ligando-a à sua própria longevidade e destino espiritual.
Ao falar sobre a importância de ter uma causa para lutar, Lula reiterou sua já conhecida meta de viver o máximo possível, vinculando isso à sua missão política: “Por isso eu disse para vocês que eu vou viver até 120 anos. Porque enquanto eu não ver o mundo justo, eu não vou parar de lutar." Essa afirmação foi um desdobramento de sua crítica anterior sobre a fome, que, segundo ele, é resultado da “falta de vergonha na cara de quem governa o mundo”.
O ponto de maior destaque e que gerou mais comentários foi quando Lula comentou sobre um possível destino na vida após a morte, sugerindo que seu estilo de luta não seria compatível com um lugar no paraíso: "E eu acho que não teria lugar para mim no céu. E eu não sei ficar bonzinho quando se trata de cuidar do povo pobre, abandonado e deserdado no planeta.”
A declaração, feita em um contexto de defesa da justiça social e dos mais pobres, sugere que o presidente se vê como um "guerreiro" que não pode ser "bonzinho" diante das grandes desigualdades, o que, para ele, o afastaria de uma imagem tradicionalmente aceita no céu.
O título de Doutor Honoris Causa foi concedido pela Universidade Pedagógica de Maputo em reconhecimento às contribuições do presidente para as relações Sul-Sul e o apoio à educação no continente africano.