
A equipe de advogados do ex-presidente, Jair Bolsonaro (PL), está elaborando um novo embasamento legal para solicitar o regresso à prisão domiciliar, um requerimento que deverá ser formalizado na próxima semana. A informação, divulgada pela CNN Brasil, indica que a manobra ocorre justamente no dia em que Bolsonaro completa, nesta sexta-feira (28), sete dias detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Bolsonaro foi capturado no sábado (22), após abandonar o confinamento doméstico por romper a tornozeleira eletrônica e sob suspeita de arquitetar uma evasão. Três dias depois, em 25 de novembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) decretou o fim do processo judicial da sentença por tentativa de golpe de Estado, definindo o início imediato do cumprimento da pena de 27 anos e três meses.
A assessoria jurídica planeja sustentar que o dano ao dispositivo de monitoramento não comprova, por si só, a intenção de escapar. Os representantes legais pretendem utilizar como paralelo o caso do ex-presidente, Fernando Collor.
Adicionalmente, os defensores desejam argumentar que Bolsonaro teria sofrido um “descontrole emocional” após a inclusão de novos fármacos em seu tratamento, eliminando qualquer projeto de fuga, algo que, segundo eles, seria difícil até de concretizar.
O novo pleito também ressaltará a necessidade de assistência médica constante. Na quinta-feira (27), Bolsonaro recebeu cuidados após seus filhos informarem nas redes sociais que ele estava enfrentando um ataque de soluços. Durante a audiência de custódia, o antigo presidente mencionou ainda problemas de refluxo, apneia e o uso de cinco medicações diárias.
A defesa reforça que a manutenção de um serviço de plantão médico ininterrupto foi assegurada por determinação do ministro Alexandre de Moraes, o que justificaria o retorno à prisão domiciliar.
Nos bastidores, pessoas próximas afirmam que a maior inquietude da defesa neste momento não é anular a condenação, mas sim retirar Bolsonaro da cela da Polícia Federal. Os recursos de divergência protocolados nesta sexta-feira (28) servem mais como um registro formal de desacordo do que como uma tentativa verdadeira de modificar a sanção.
Enquanto isso, o ex-chefe do Executivo continua sob regime fechado, completando sua primeira semana de reclusão — período marcado por intensa agitação política, disputas judiciais e o declínio do apoio nos atos de vigília que, nos primeiros dias, reuniram centenas de apoiadores.