Família Bolsonaro ainda acredita em anistia ampla, mas enfrenta pessimismo de aliados

Enquanto caciques defendem votar o PL da dosimetria para reduzir tensões, Flávio e Eduardo insistem em perdão total e travam avanço no Congresso; entenda

28/11/2025 às 11h54
Por: Mateus Pereira Fonte: Metrópoles
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Foto: Reprodução
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Segundo apurado pelo portal Metrópoles, caciques do Partido Liberal (PL) passaram a defender, nos bastidores, que a legenda abandone a aposta exclusiva na anistia ampla e irrestrita e avance com o PL da dosimetria apresentado pelo relator Paulinho da Força. Para esse grupo, a proposta - que suaviza penas, mas não extingue condenações - seria a saída “mais adequada” diante do impasse político entre Planalto e Congresso.

Parte dos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro acredita que, com o clima atual, o texto seria colocado em votação sem resistência e ajudaria a “aliviar” o ambiente após dias de tensão.

Mas a ala ideológica do bolsonarismo, puxada por Flávio e Eduardo Bolsonaro, se recusa a aceitar qualquer alternativa que não garanta perdão total aos presos e financiadores do 8 de Janeiro. Eduardo, visto por integrantes da própria base como quem “mais atrapalha”, insiste que a pauta da direita não pode recuar. Segundo um parlamentar próximo da família, a estratégia dos filhos é partir para o “tudo ou nada”, mesmo que isso acabe prejudicando o pai.

O cálculo interno é claro: enquanto a dosimetria reduziria penas, não garantiria liberdade imediata ao ex-presidente, condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão. A anistia, por outro lado, zeraria o processo — mas não encontra clima político para avançar. Interlocutores do presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmam que ele já avisou aos bolsonaristas que não há apoio suficiente para votar a medida. Na avaliação de líderes consultados por ele, mesmo se pautada, a anistia seria rejeitada.

A prisão de Bolsonaro, no último sábado (22), após tentar violar a tornozeleira eletrônica, aumentou a pressão sobre Motta para que a proposta entrasse em pauta. Mas o episódio também provocou desgaste dentro e fora do PL, afastando o centrão da ideia. Parte dos dirigentes teme assumir uma bandeira que, neste momento, carrega forte desgaste público. Com isso, cresce a leitura de que o PL da dosimetria deve voltar ao centro das negociações - a menos que a ala bolsonarista mantenha o veto e aprofunde ainda mais o racha interno.

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