Interligados? Ministro Toffoli viajou de jatinho com advogado de diretor do Banco Master para assistir final de Libertadores

Dias Toffoli é o relator da investigação sobre as suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master

08/12/2025 às 12h06
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Ministro Dias Toffoli - Reprodução: Nelson Jr./STF
Ministro Dias Toffoli - Reprodução: Nelson Jr./STF

O ministro Dias Toffoli, integrante da Suprema Corte, e o advogado, Augusto Arruda Botelho, (ex-titular da Secretaria Nacional de Justiça) compartilharam um voo particular com destino à capital peruana para presenciar a decisão da Libertadores. Torcedores do Palmeiras, ambos aceitaram o convite do empresário Luiz Oswaldo Pastore, amigo mútuo, para presenciar o embate contra o Flamengo.

A aeronave transportava um grupo de 15 indivíduos, incluindo o ex-parlamentar Aldo Rebello. O trajeto foi inicialmente divulgado por Lauro Jardim, em "O Globo", e posteriormente ratificado pelo "Estadão" através de um passageiro que optou pelo sigilo.

Atualmente, Toffoli desempenha o papel de relator no inquérito que apura irregularidades financeiras ligadas ao Banco Master. Por outro lado, Botelho atua na defesa de Luiz Antonio Bull, executivo de conformidade da instituição, que enfrentou detenção durante a "Operação Compliance Zero" e hoje cumpre medidas cautelares com monitoramento eletrônico.

É importante notar que, no momento do embarque para o Peru, a ação judicial ainda não havia sido encaminhada à mesa de Toffoli; a designação ocorreu posteriormente, via sorteio eletrônico no Tribunal.

Sigilo e Competência Jurisdicional

Ao assumir o caso, o ministro determinou o segredo de justiça. A remessa dos autos ao Supremo aconteceu após os advogados de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, questionarem a jurisdição inferior. O estopim foi a localização, pela Polícia Federal, de um envelope endereçado ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) em uma das propriedades de Vorcaro — situação que, teoricamente, atrai a competência do STF devido ao foro por prerrogativa de função do parlamentar.

O deputado justifica o vínculo afirmando que estruturou um fundo imobiliário em Trancoso (BA) e que o banqueiro demonstrou desejo de adquirir uma cota do projeto, embora o trato não tenha se concretizado.

Divergências na Investigação

Apesar de a Polícia Federal considerar que os negócios imobiliários mencionados não apresentam indícios criminosos que justifiquem a permanência do caso na cúpula do Judiciário, Toffoli optou por manter a condução do inquérito. Em resposta à determinação do ministro:

"a 10.ª Vara Federal de Brasília suspendeu o andamento do inquérito da Polícia Federal e enviou todos os processos do caso ao STF, como as quebras de sigilo e os bloqueios de bens, para que Toffoli avalie se também devem tramitar no Supremo."

Até o momento, os envolvidos — o ministro, o advogado e o ex-deputado — não emitiram declarações oficiais sobre o episódio do voo, apesar de contatados pela imprensa.

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