
No último domingo (17), o Brasil se surpreendeu com a notícia de que o fundador das Igrejas Bola de Neve, Rinaldo Luiz de Seixas Pereira, havia falecido em um acidente de moto no interior de São Paulo. Conhecido como Rina, o apóstolo era um nome influente no mundo gospel. Conheça um pouco de sua trajetória.
Início da vida e da trajetória em Cristo
Filhos de pais evangélicos, Rina tinha 52 anos e cresceu na igreja. Quando criança, estudou no Colégio Batista Brasileiro, onde a mãe trabalhava. Foi nesse período que passou a ler a bíblia e usá-la como referência.
A religião tornou-se parte de seu dia a dia após receber um diagnóstico de hepatite, ainda na juventude. Ele chegou a classificar a experiência como “a existência real do inferno”, devido às fortes dores causadas pelo quadro. Ao superar a doença, dedicou-se à pregação e em 1993, iniciou as primeiras reuniões religiosas, que viriam a se tornar a Bola de Neve mais a frente, em 1999.
A igreja dos surfistas
Pouco antes de fundar a Bola de Neve, Rina tornou-se líder religioso no Ministério de Evangelismo da Igreja Renascer, onde se dedicava em eventos para os jovens. Ele deixou a instituição de forma amigável para fundar a sua própria.
Surfista, Rina adotou uma identidade mais descontraída com a Bola de Neve que ficou marcada como a ‘igreja dos surfistas’. O púlpito, inclusive, tinha o formato de uma prancha de surf. A igreja também não exigia vestimentas formais, o que acabava por atrair os jovens.
A primeira sede foi erguida no bairro do Brás, região central de São Paulo, em um espaço emprestado por um empresário do ramo do surfe. O local tinha capacidade para comportar 150 pessoas. Já a criação do nome ‘Bola de Neve’ traz uma referência a uma avalanche, que pode começar com uma simples bola de neve, mas se tornar algo gigante (uma referência ao tamanho da fé das pessoas)
Com a popularização e crescimento da instituição, o endereço da matriz mudou várias vezes e passou por ruas de bairros nobres da capital, como Perdizes e Lapa. Não demorou para ganhar espaço por todo o Brasil. Atualmente, estima-se que existam 560 templos em todo o país. A instituição também está presente em todos os continentes do mundo e possui uma comunidade potente nos Estados Unidos.
Sedes também chegaram a ser congregadas por famosos como a cantora Priscilla, o surfista Gabriel Medina e a influenciadora Monique Evans.
Além de fundador da Bola de Neve, Rina foi o criador do Instituto Global de Ensino Teológico, que forma líderes, missionários e pastores, além de ser autor de vários livros sobre religião e autoconhecimento. Suas obras traziam orientações sobre casamento e estratégias para se tornar um líder bem-sucedido.
Acusações de agressão doméstica e afastamento de suas funções
Rina era casado com a pastora e cantora, Denise de Seixas Pereira, com quem tinha quatro filhos. Desde junho de 2024, ele estava afastado de suas funções na igreja, após acusações de agressão doméstica contra Denise.
Em depoimento à Polícia Civil, a mulher disse que foi agredida de diversas formas pelo pastor, desde xingamentos até violência física. Ela ainda alegou que foi agredida com um soco no nariz, mas não denunciou o marido por receio de sua influência.
Denise conseguiu uma medida protetiva na Justiça ao relatar episódios de lesão corporal, injúria, difamação e violência psicológica. Apesar de ter negado as acusações, Rina foi afastado do Conselho Deliberativo da Bola de Neve.
"Com muito pesar e tristeza que nos dirigimos a vocês para tratar dos fatos que se desdobram nas últimas semanas envolvendo o Ministério Bola de Neve. O Conselho Deliberativo, junto ao Apóstolo Rina, decidiu pelo afastamento do seu fundador para que se dedique integralmente a esclarecer os apontamentos apresentados e restabelecer sua saúde e a de sua família", comunicou a igreja
Conflitos já ocorriam desde o ano passado
Em abril de 2023, o filho de Denise - enteado de Rina - divulgou um vídeo em que o pastor dizia que a mulher estava "completamente enlouquecida". Segundo a cantora gospel, ela passou a sofrer violência psicológica após essa divulgação, uma vez que o líder religioso teria se enfurecido.
Segundo depoimento, ela foi obrigada a gravar vídeos desmentindo as acusações de que Rinaldo seria um agressor, mas ao fazer de forma mal-feita (as pessoas perceberam que ela estava nervosa e lendo um texto), o marido arremessou uma cadeira em sua direção.
Nos últimos dois meses, Denise perdeu o acesso às redes sociais e às suas finanças. Sempre que precisava de dinheiro, tinha que entrar em contato com uma pessoa indicada pelo pastor. Ela também foi ameaçada para ter relações sexuais com Rinaldo, que teria dado um "prazo" para ela voltar a se relacionar intimamente com ele.
Na época do caso, a assessoria de imprensa do apóstolo informou que ele negava qualquer prática violenta.