
Figura central nas aspirações eleitorais do Partido dos Trabalhadores, o ministro Fernando Haddad declarou, nesta segunda-feira (19), que o martelo sobre seu próximo destino ainda não foi batido. Embora seja a aposta principal da cúpula petista para o pleito deste ano, o economista mantém um tom de cautela sobre retornar às urnas.
Haddad já havia sinalizado que deixaria o comando da economia até o encerramento de janeiro. Seu plano original era atuar nos bastidores, coordenando as diretrizes do programa de governo para a tentativa de reeleição de Lula. Contudo, o apelo do presidente e do PT para que ele encabece uma chapa majoritária em outubro gerou um impasse.
Em entrevista ao UOL, ele detalhou o diálogo com o mandatário:
“Eu disse em todas as ocasiões que não pretendia me candidatar em 2026. Isso vale para qualquer cargo. Comecei uma conversa com o presidente Lula, com quem tenho uma relação pessoal que transborda a questão política. Tenho ouvido o presidente Lula”, revelou.
Sobre o estágio das negociações, o ministro preferiu não antecipar conclusões:
“Eu levei à consideração dele essas minhas colocações. É uma conversa de amigos, de companheiros, que pode se estender um pouco mais. Nós não concluímos nada nessa primeira conversa. Ele está colocando os pontos dele e eu estou colocando os meus. Vamos chegar a um consenso logo mais”.
Ao justificar sua saída do Ministério da Fazenda, Haddad apontou o desgaste natural após uma década no primeiro escalão federal:
“Eu vou completar 10 anos à frente de ministérios. Fiquei quase sete anos à frente do Ministério da Educação e já mais de três no Ministério da Fazenda. Eu adorei todas as experiências pelas quais passei, mas não estou pensando nisso agora”, explicou.
Seu foco imediato, segundo ele, é intelectual e programático:
“Estou querendo um tempo para discutir um pouco o país e um projeto de país. Estava querendo esse tempo para mergulhar um pouco nessas temáticas”.
Apesar da relutância, seu nome ganha força em dois cenários em São Paulo: a disputa por uma das duas cadeiras no Senado ou uma nova tentativa ao Palácio dos Bandeirantes, após o desempenho expressivo em 2022.
Haddad também propôs uma reflexão sobre como o desempenho econômico perdeu o monopólio da influência sobre o eleitorado, cedendo espaço para pautas morais e de segurança:
“Se você pegar as pesquisas de opinião, a economia foi perdendo lugar para outros temas no ranking de preocupações dos brasileiros. Outros temas galgaram degraus, como segurança pública e combate à corrupção. Eu não acredito que a economia vai derrotar o governo. E pode ser que não eleja o governo”, analisou.
Para o ministro, o pragmatismo financeiro hoje divide atenção com a volatilidade da informação:
“Economia tem sido um elemento muito importante, mas não necessariamente o decisivo para ganhar ou perder uma eleição. O ponteiro da eleição está mudando com muita rapidez ao calor da notícia do dia”.
Por fim, ele alertou para as estratégias da oposição radical, que foca em aspectos subjetivos e ideológicos:
“São temas que não dialogam com o dia a dia, mas com uma visão de futuro, com uma perspectiva de organização social, com medos… A extrema direita cria muitos espantalhos. É um período desafiador por isso. Você tem um pensamento extremista que está na ordem do dia”, concluiu.