
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, rebateu críticas de setores da Faria Lima e do mercado financeiro à condução da política fiscal do governo federal. Em entrevista ao UOL, nesta segunda-feira (19), afirmou que há “falta de honestidade com números” nas avaliações sobre um suposto descontrole das contas públicas.
Na reta final de sua passagem pelo primeiro escalão do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Haddad disse que a atual gestão mantém o compromisso com a responsabilidade fiscal. Para sustentar o argumento, comparou dados recentes com o período do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o ministro, o Orçamento enviado pelo governo Bolsonaro para 2023 previa déficit de R$ 64 bilhões, sem considerar despesas incorporadas por emendas constitucionais. Haddad citou o aumento do Bolsa Família de R$ 400 para R$ 600 sem a correspondente previsão orçamentária e criticou a PEC dos Precatórios, que classificou como “PEC do calote” e lembrou ter sido considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
De acordo com Haddad, o déficit projetado para 2023 na gestão anterior superava 1,6% do PIB. Já no governo Lula, afirmou, o déficit de 2024 ficou em 0,48% do PIB, considerando exceções. “Reduzimos, em dois anos, o déficit primário em 70%”, disse.
O ministro afirmou ainda que a meta de resultado primário para este ano é mais exigente do que a dos anos anteriores. “Estamos subindo o sarrafo das exigências”, declarou.
Em tom de balanço, Haddad disse estar convencido de que entregou o plano apresentado a Lula ainda em 2022. Reconheceu derrotas e vitórias no Congresso e no Judiciário, mas afirmou que o resultado final ficou próximo do que considerava possível.