Sambas-enredo de São Paulo ganham tradução em Libras e ampliam inclusão no Carnaval

Projeto Samba com as Mãos permite que pessoas surdas e com deficiência auditiva compreendam as letras das escolas dos Grupos Especial e de Acesso.

02/02/2026 às 11h59
Por: Natália Raquel
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Foto: Reprodução/Instagram @ligacarnavalsp
Foto: Reprodução/Instagram @ligacarnavalsp

Os sambas-enredo das escolas de samba de São Paulo no Carnaval 2026 passaram a ser traduzidos para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), garantindo que pessoas surdas ou com deficiência auditiva possam compreender as letras e participar da festa de forma mais inclusiva. A iniciativa integra o projeto Samba com as Mãos, desenvolvido pela Prefeitura de São Paulo.

A ação é coordenada pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, em parceria com a Liga das Escolas de Samba de São Paulo, e contempla os sambas-enredo das agremiações dos Grupos Especial e de Acesso. O objetivo é assegurar que a comunidade surda tenha acesso pleno ao conteúdo artístico que embala os desfiles.

O trabalho envolve pesquisa detalhada e colaborativa, com a participação de compositores, integrantes das escolas, intérpretes de Libras e representantes da comunidade surda. A proposta é preservar o sentido das letras e garantir que a tradução respeite o contexto cultural e simbólico de cada samba. Após essa etapa, são gravados vídeos com intérpretes que traduzem os sambas para Libras.

A 10ª edição do Samba com as Mãos foi lançada na noite de sexta-feira (31), na quadra da Rosas de Ouro, atual campeã do Carnaval paulistano, no bairro do Limão, Zona Norte da capital. Os vídeos serão divulgados nas redes sociais da SMPED, seguindo a ordem oficial dos desfiles no Sambódromo do Anhembi, que ocorrem entre os dias 13 e 15 de fevereiro.

Além da divulgação antecipada dos sambas traduzidos, o projeto prevê atendimento direto ao público durante os desfiles. Pessoas surdas e com deficiência auditiva contarão com intérpretes de Libras no Sambódromo, enquanto pessoas cegas ou com baixa visão terão acesso à audiodescrição, recurso que transforma elementos visuais em descrições faladas.

A iniciativa reforça o compromisso da cidade com a diversidade, a acessibilidade e o direito ao lazer. Ao incluir a Libras no principal evento cultural da capital, o projeto amplia a participação de um público historicamente afastado das grandes manifestações populares e valoriza a Língua Brasileira de Sinais, reconhecida por lei como meio oficial de comunicação.

Dados do IBGE indicam que mais de 120 mil pessoas com deficiência auditiva vivem na cidade de São Paulo. Para muitas delas, a Libras é a primeira língua. Ao traduzir os sambas-enredo, o Samba com as Mãos transforma o Carnaval em um espaço mais democrático, onde a cultura popular pode ser vivida e compartilhada por todos.

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