Entenda o que é o Grupo Fictor, que tentou comprar o Banco Master e pede por recuperação judicial

A trajetória recente da companhia foi marcada por turbulências envolvendo o setor bancário. Em meados de novembro do ano passado, a Fictor declarou ter estabelecido um pacto para assumir o controle do Banco Master, atuando ao lado de um grupo de investidores árabes

02/02/2026 às 12h39
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Thomas Fuller/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Reprodução: Thomas Fuller/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

O Grupo Fictor registrou na Justiça, no último domingo (1º), uma solicitação de recuperação judicial abrangendo as unidades Fictor Holding e Fictor Invest. O passivo acumulado pela organização atinge a cifra de R$ 4 bilhões.

A trajetória recente da companhia foi marcada por turbulências envolvendo o setor bancário. Em meados de novembro do ano passado, a Fictor declarou ter estabelecido um pacto para assumir o controle do Banco Master, atuando ao lado de um grupo de investidores árabes. Contudo, logo após o anúncio, a autoridade monetária brasileira determinou o encerramento das atividades da referida instituição financeira.

Fundada em 2007 como uma provedora de tecnologia, a Fictor transformou-se em um conglomerado de gestão com interesses diversificados:

  • Atuação Estratégica: Foca nos segmentos de alimentação, infraestrutura e finanças.

  • Private Equity: Iniciou aportes em empresas de capital fechado com forte projeção de alta em 2013.

  • Agronegócio: Passou a operar no comércio global de commodities em 2018.

  • Expansão: Em 2022, estruturou a Fictor Invest por meio de uma parceria comercial e chegou à marca de 10 empreendimentos sob seu comando.

  • Mercado de Capitais e Internacionalização: Em 2024, a Fictor Alimentos estreou na bolsa de valores (B3) com o código FICT3, e, no ano seguinte, o grupo iniciou sua presença física no exterior.

A visibilidade da marca foi impulsionada por investimentos vultosos no esporte. A empresa selou um contrato de três anos com o Palmeiras, avaliado em até R$ 30 milhões anuais, estampando uniformes das categorias de base e da equipe principal. Além disso, destinou R$ 21 milhões à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) em um acordo válido até 2029.

No processo enviado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a holding e seu braço de investimentos pleiteiam uma trégua de 180 dias nas cobranças de credores. É importante notar que as outras empresas do grupo permanecem fora do processo, mantendo o fluxo regular de seus negócios.

A organização assegurou que não pretende aplicar descontos nos débitos, visando o pagamento integral dos valores devidos. De acordo com a empresa:

"A medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável".

A justificativa apresentada para o colapso financeiro recai sobre os reflexos da queda do Master. A Fictor alega que o desfecho negativo da compra abalou sua credibilidade e secou suas fontes de recursos. Conforme relatado, as repercussões mercadológicas "atingiram duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding". Antes dessa movimentação legal, a Justiça já havia ordenado preventivamente o congelamento de R$ 150 milhões das contas do grupo.

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