
O desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026, que pretende levar a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Sambódromo, entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU). Técnicos do órgão recomendaram a suspensão imediata do repasse de R$ 1 milhão destinado à agremiação, sob o argumento de que o uso de verba pública para exaltar um governante em ano de reeleição pode ferir princípios constitucionais.
A polêmica nasceu de uma representação de parlamentares do Partido Novo. Segundo o corpo técnico do tribunal, o patrocínio que faz parte de um montante de R$ 12 milhões da Embratur para a Liesa pode configurar desvio de finalidade, violando a impessoalidade e a moralidade administrativa.
O relatório do TCU é cuidadoso ao separar a arte do dinheiro público. Os auditores rejeitaram o pedido dos parlamentares para impedir o desfile ou censurar o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", entendendo que isso seria uma violação à liberdade de expressão. No entanto, o bloqueio do recurso financeiro é visto como uma cautela necessária.
A decisão final sobre o travamento da verba está nas mãos do ministro Aroldo Cedraz. Se ele aceitar a medida cautelar: Embratur e Ministério da Cultura terão 15 dias para explicar as falhas; a Liesa deverá apresentar extratos bancários da conta do convênio e o Acadêmicos de Niterói precisará informar se já recebeu ou se conta com a promessa desse recurso federal.
Enquanto o imbróglio jurídico se desenrola, o clima nos bastidores da Sapucaí é de expectativa. Lula já confirmou a aliados que estará no Rio em 15 de fevereiro de 2026 para assistir ao desfile. O prefeito Eduardo Paes, inclusive, já reservou camarotes para receber o presidente, a primeira-dama Janja e sua comitiva ministerial.