Após padre expulsar fiéis da igreja por concordarem com Nikolas Ferreira, deputado se defende: “Perseguição religiosa”

Deputado disse que eucaristia foi usada como instrumento político e afirmou enfrentar perseguição religiosa

09/02/2026 às 10h42
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Nikolas Ferreira - Reprodução: Instagram
Nikolas Ferreira - Reprodução: Instagram

O embate entre fé e militância ganhou novos contornos após o deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG) utilizar suas redes sociais, na noite desse domingo (8), para repudiar a conduta de um padre mineiro. O episódio, que viralizou rapidamente, envolve a proibição da comunhão a fiéis baseada em divergências ideológicas, algo que o parlamentar descreveu como um dos eventos mais alarmantes de sua trajetória, elevando a discussão do palanque político para a esfera transcendental.

Visivelmente impactado, o congressista criticou a utilização do espaço sagrado para, em suas palavras, “condicionar a Eucaristia” — pilar fundamental do catolicismo — à anuência ou crítica ao seu mandato. “Eu sou um simples deputado federal”, desabafou, ao indagar os motivos pelos quais sua figura pública se tornou critério para o recebimento de um sacramento. Para o mineiro, tal postura configura um desvirtuamento institucional grave, beirando o que definiu como “heresia a nível máximo”.

Nikolas também apontou o que enxerga como um silêncio conveniente de certas lideranças clericais diante de outros temas sensíveis. Em seu pronunciamento, ele enumerou situações que, a seu ver, deveriam causar maior repulsa nos altares, mas que são ignoradas, tais como:

  • Desvios de verbas públicas e crises financeiras;

  • Acolhimento diplomático de ditadores no território nacional;

  • Defesa de pautas como o aborto.

O estopim: O auxílio-gás e a exclusão

O conflito teve origem quando o padre, em plena celebração, ordenou que os apoiadores de Nikolas se retirassem da igreja caso concordassem com o voto do deputado contra um projeto governamental de subsídio ao gás de cozinha. “Você não merece receber a Eucaristia”, disparou o religioso na ocasião.

Em sua defesa, o parlamentar reiterou que votou contra a proposta por considerá-la uma estratégia que fere a liberdade familiar e promove o assistencialismo eleitoreiro em detrimento da autonomia cidadã.

Ao encerrar seu pronunciamento, o deputado conferiu uma tonalidade mística ao ocorrido, sugerindo que as pressões sofridas por ele e seus aliados possuem raízes profundas.

“Isso aqui não é uma guerra material, isso aqui não é uma guerra política. Isso aqui é uma guerra espiritual. E eu não tenho dúvidas de que tanto de coisas que eu tenho enfrentado, que nós temos enfrentado, é simplesmente as trevas se levantando. Mas se Deus é por nós, quem será contra nós?”, proclamou.

O incidente, registrado em uma paróquia sob jurisdição da Diocese de Caratinga, em Minas Gerais, forçou a cúpula religiosa a se manifestar. Em nota, a Diocese esclareceu que as declarações do padre divergem das diretrizes eclesiásticas e confirmou que o mesmo solicitou desculpas aos paroquianos. Contudo, a contundente resposta de Nikolas garantiu que o tema permanecesse no centro do debate nacional sobre a fronteira entre o Estado e a Igreja.

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