
O vereador Nabil Bonduki (PT) protocolou uma representação junto ao Ministério Público (MP) solicitando que a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social exija da Prefeitura de São Paulo ações imediatas para conter o perigo de um desastre no Carnaval de rua. O alerta surge após um final de semana de abertura marcado por aglomerações extremas e incidentes graves.
No sábado (7), a passagem de Ivete Sangalo pela região do Ibirapuera atraiu uma multidão colossal. A Polícia Militar já havia sinalizado o temor de uma “tragédia” devido ao estreitamento da via diante da Alesp. Para mitigar o risco, a cantora interrompeu a música por 40 minutos para coordenar a massa, forçando a prefeitura a acionar protocolos emergenciais.
O domingo (8) não foi diferente: o encontro de grandes blocos na Rua da Consolação resultou em pânico durante a performance do DJ escocês Calvin Harris. A pressão humana foi tão severa que foliões romperam os portões da Escola Paulista de Magistratura em busca de oxigênio. O balanço foi de centenas de atendimentos médicos e descontrole generalizado.
Em seu texto, o parlamentar enfatiza que o pior ainda pode estar por vir com a chegada da semana oficial da folia:
“Ressalte-se que tais fatos não se apresentam como episódio isolado, mas como sinal de um cenário que tende a se acirrar com a proximidade das datas oficiais do Carnaval, compreendidas entre os dias 14 e 18 de fevereiro de 2026, e do “Pós-Carnaval”, compreendido entre 21 e 22 de fevereiro de 2026. Nesse período, é previsível o aumento significativo da circulação de munícipes e turistas, bem como da ocupação intensiva do espaço urbano, o que potencializa riscos à segurança, à mobilidade urbana e ao adequado usufruto da cidade”, escreveu Bonduki.
O vereador requer que o Ministério Público convoque uma conferência institucional de urgência, reunindo seu gabinete, a Promotoria, a PM e os órgãos municipais de fiscalização e planejamento. O objetivo é dissecar os erros cometidos e ajustar as estratégias antes dos próximos desfiles.
“A reunião teria por finalidade a prestação de esclarecimentos sobre os critérios adotados no planejamento do evento, especialmente no que se refere à definição de trajetos, horários, dimensionamento de público, estratégias de segurança, mobilidade e prevenção de riscos, bem como a avaliação de medidas para evitar a repetição de situações como as verificadas no dia de hoje”, detalhou o ofício enviado no domingo.
Um ponto sensível levantado pelo parlamentar é o fato de ambos os eventos problemáticos serem promovidos por patrocinadores oficiais. Para Bonduki:
“O conjunto de imagens e relatos sugere uma clara inversão de prioridades na condução do evento, na qual a maximização de exposição de marcas e a realização de ações promocionais de grande impacto visual parecem ter prevalecido sobre protocolos de segurança e orientações operacionais das forças policiais”.