Lula evoca “sangue de Lampião”, ironiza Trump e afirma: “Não provocaria a gente”

Em evento no Instituto Butantan, presidente usa tom bem-humorado ao falar de Trump e reforça defesa do multilateralismo e da soberania brasileira

09/02/2026 às 14h07
Por: Natália Raquel
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Lula evoca “sangue de Lampião”, ironiza Trump e afirma: “Não provocaria a gente”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez referência à história nordestina e adotou um tom bem-humorado ao comentar a relação entre Brasil e Estados Unidos nesta segunda-feira (9), durante um evento oficial em São Paulo. Ao mencionar o ex-presidente norte-americano Donald Trump, Lula disse que o líder republicano desconheceria a determinação histórica do povo brasileiro, simbolizada, segundo ele, pela figura de Lampião.

A fala ocorreu durante uma cerimônia no Instituto Butantan, onde o governo federal anunciou um investimento de R$ 1,4 bilhão para o desenvolvimento de vacinas e soros. Diante de autoridades, pesquisadores e convidados, Lula afirmou que não busca conflitos com nenhuma potência, mas reforçou que o Brasil não aceita provocações nem posições de submissão no cenário global.

Em tom de brincadeira, o presidente comentou que discursos baseados em poderio militar não o impressionam e ressaltou que sua prioridade é evitar confrontos desnecessários. Na sequência, deixou claro que sua postura é guiada pela diplomacia e pelo fortalecimento das relações internacionais de forma equilibrada.

Defesa do multilateralismo

Após a ironia, Lula adotou um discurso mais direto ao defender o multilateralismo como pilar da política externa brasileira. Segundo ele, o país não pretende exercer hegemonia sobre seus vizinhos da América do Sul, mas também não aceita ser tratado como inferior por grandes potências econômicas e militares.

O presidente afirmou que o Brasil busca parcerias estratégicas baseadas em interesses nacionais e benefícios concretos para a população, sem alinhar-se automaticamente a um único bloco global. Ele reforçou que decisões diplomáticas devem priorizar o desenvolvimento do país, independentemente de pressões externas.

Parcerias internacionais e investimentos em saúde

Durante o evento, Lula também destacou a importância de acordos internacionais na área da saúde, citando parcerias com outros países para ampliar a capacidade de produção de vacinas no Brasil. Para o presidente, a cooperação científica é essencial para garantir autonomia sanitária e atender às necessidades da população brasileira.

O investimento anunciado no Instituto Butantan faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para fortalecer o complexo industrial da saúde, reduzir a dependência externa e ampliar o acesso a imunizantes e tratamentos.

Agenda política e contexto eleitoral

A visita ao Instituto Butantan marcou a primeira agenda oficial de Lula em São Paulo neste ano, estado que concentra o maior colégio eleitoral do país. Após o compromisso na capital, o presidente seguiu para a região metropolitana, onde deve anunciar novos investimentos nas áreas de saúde e educação.

Embora tenha adotado um tom descontraído em parte de sua fala, o discurso evidenciou a intenção do governo de reforçar a imagem do Brasil como um país soberano, aberto ao diálogo internacional, mas firme na defesa de seus interesses estratégicos.

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