
Em Seul, capital da Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou forte oposição à “tentativa de usar o comércio como arma”, uma reação direta ao recente endurecimento da política alfandegária de Washington. Embora não tenha mencionado Donald Trump nominalmente, o petista utilizou seu discurso para contrapor as tarifas de 15% oficializadas pelo líder norte-americano com a defesa do multilateralismo.
Durante um fórum empresarial nesta segunda-feira (23), o chefe do Executivo brasileiro enfatizou que a solução para as tensões globais reside na diplomacia:
“A melhor resposta à tentativa de usar o comércio como arma é mostrar que é possível alcançar entendimentos mutuamente benéficos por meio do diálogo e da negociação. A relação entre o Brasil e a República da Coreia, dois países ligados por fortes laços humanos e vínculos empresariais, é a prova de que a confiança e a cooperação valem a pena”, declarou o presidente.
A instabilidade no comércio internacional escalou após a Suprema Corte dos EUA invalidar um "tarifaço" prévio, levando Trump a anunciar uma taxa global de 10% na última semana. No entanto, no último sábado (21), o republicano elevou o percentual para 15%, sinalizando um fechamento de mercado que preocupa as economias emergentes.
Para mitigar os impactos do isolacionismo das grandes potências, Lula defendeu que o Brasil deve ampliar seu leque de aliados comerciais. A Coreia do Sul surge, neste cenário, como uma peça-chave para garantir a estabilidade financeira nacional.
“A resiliência de um país, especialmente em tempos de turbulência global e de retorno do protecionismo, depende da diversificação da sua base econômica e das suas relações comerciais. Vemos, na República da Coreia, um parceiro estratégico para atingir esses dois objetivos”, reiterou.
O encontro bilateral rendeu frutos práticos: Lula e o mandatário sul-coreano, Lee Jae-myung, decidiram retomar as discussões para um tratado comercial entre o país asiático e o Mercosul. O processo, que estava estagnado desde 2021, agora entra em uma fase de tentativa de desbloqueio para fortalecer o fluxo de mercadorias entre os blocos.