
O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) rejeitou, no início desta terça-feira (24), um novo pedido de liberdade em favor do criador de conteúdo Hytalo Santos e de seu companheiro, Israel Vicente, o Euro. O veredito ratifica o confinamento da dupla na Penitenciária do Róger, local onde se encontram detidos desde agosto de 2025.
Por um placar de dois votos contra um, os magistrados optaram por conservar o encarceramento, fundamentando a medida no perigo de "fulga" e na necessidade de assegurar a estabilidade social.
A análise do recurso ocorreu logo após o desfecho da primeira fase judicial. No último sábado (21), o titular da 2ª Vara Mista de Bayeux, Antônio Rudimacy, aplicou as sentenças relativas a crimes de exploração sexual juvenil em produções digitais. Hytalo recebeu uma pena de 11 anos e 4 meses, enquanto Israel foi apenado com 8 anos, 10 meses e 20 dias.
A despeito da condenação recente, o rito processual nacional prevê que a prisão não se torna execução definitiva da pena de imediato. Isso ocorre apenas quando o caso "transita em julgado", ou seja, após o esgotamento total de apelações. Os advogados dos réus confirmaram que irão contestar a condenação.
Esta movimentação não representa o primeiro esforço dos advogados para libertar os influenciadores. Tentativas similares via habeas corpus foram barradas pelo TJPB em setembro e novembro de 2024. No final do ano passado, o órgão rechaçou tanto a soltura quanto a tese de que o processo deveria ser transferido para a alçada da Justiça Federal.
Naquela ocasião, o entendimento foi de que faltavam provas para conceder a liberdade e que o debate sobre a competência da comarca de Bayeux demandava uma "análise mais aprofundada", reservada apenas para a fase final do julgamento.
O escândalo tomou proporções globais em agosto do ano passado, impulsionado por um vídeo-denúncia do youtuber Felca (Felipe Bressanin), que expôs condutas irregulares envolvendo menores de idade sob a tutela do paraibano. A dupla está sob custódia estatal desde 15 de agosto, tendo passado por São Paulo antes de chegar ao sistema prisional de João Pessoa.
Além da esfera criminal no TJPB, ambos enfrentam acusações graves no âmbito trabalhista, incluindo tráfico humano e redução de pessoas à condições análogas à escravidão.
As diligências policiais começaram em dezembro de 2024, motivadas por relatos ao Disque 100. Na época, Hytalo, que acumulava 17 milhões de admiradores na internet, tentou se justificar antes de ter seus perfis removidos, argumentando que a participação dos jovens possuía o aval materno e que duas das envolvidas seriam "emancipadas".
O processo segue seu curso; a etapa inicial das oitivas aconteceu em novembro de 2025, contando com depoimentos de testemunhas-chave, como a influenciadora Kamylinha e o próprio denunciante, Felca.