
A bióloga, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio, afirmou que nunca teve como objetivo se tornar uma figura pública. A declaração foi feita durante participação no programa Roda Viva, exibido nesta segunda-feira (23), na TV Cultura.
“Eu não tinha essa expectativa, em nenhum momento, de querer aparecer. O status de celebridade, que não tenho buscado, e nem com o qual eu me sinta confortável. É bom saber que está sendo admirada pelas pessoas, mas é desconfortável”, disse a pesquisadora. A edição marcou também a estreia do jornalista Ernesto Paglia como apresentador da atração, que completa 40 anos em setembro.
Tatiana é responsável pelo desenvolvimento da polilaminina, molécula recriada em laboratório a partir da laminina proteína naturalmente produzida pelo organismo humano e fundamental para a conexão entre neurônios.
O estudo é resultado de cerca de 30 anos de pesquisa voltada à recuperação de lesões na medula espinhal. A substância tem sido apontada como uma esperança para pacientes com paralisias decorrentes de lesões medulares, especialmente em casos agudos.
Durante o programa, a cientista explicou que a recente visibilidade tem impactado sua rotina no laboratório. Segundo ela, o foco sempre esteve na pesquisa e no avanço científico, não na exposição midiática.
Nos últimos dias, Tatiana ganhou destaque nacional após a divulgação de resultados promissores relacionados à polilaminina. Durante o Carnaval do Rio, ela foi homenageada pelo cantor João Gomes, que interrompeu um show na Sapucaí para exaltá-la como “a maior celebridade” da noite. Apesar do reconhecimento, a pesquisadora reforça que o verdadeiro protagonismo deve ser da ciência.
A entrevista contou com uma bancada formada por jornalistas especializados em saúde e ciência, incluindo Carol Marcelino, Fabiana Cambricoli, Jairo Marques, Lúcia Helena de Oliveira, Mariana Varella e Rafael Garcia.
Ao longo da conversa, Tatiana detalhou os desafios do desenvolvimento científico no Brasil e ressaltou a importância do investimento contínuo em pesquisa para que descobertas como a polilaminina avancem nas próximas etapas clínicas. Para ela, o reconhecimento público pode ser passageiro mas o compromisso com a ciência é permanente.