
Durante a sessão dessa quinta-feira (26), em que o Supremo Tribunal Federal (STF) celebrou seu 135º aniversário, o ministro Gilmar Mendes teceu duras críticas ao senador Sergio Moro (União Brasil-PR). Em uma fala carregada de sarcasmo, o magistrado sugeriu que o antigo juiz da 13ª Vara de Curitiba "precisava de ter ghostwriters, porque talvez não soubesse escrever com G ou com J a palavra tigela".
O comentário surgiu no centro de uma retrospectiva histórica sobre o papel da Corte. Em sua exposição, Mendes relembrou a atuação do Tribunal na crise sanitária da Covid-19, citou os episódios de 8 de janeiro de 2023 e desferiu críticas à gestão de Jair Bolsonaro (PL).
Ao avançar sobre o legado da Operação Lava Jato, Mendes afirmou que a força-tarefa camuflou objetivos partidários sob o pretexto da moralidade pública. Para ele, a condução dos processos foi marcada por irregularidades graves, sentenciando que "não se combate o crime cometendo crimes". Ele reforçou seu argumento mencionando a Operação Spoofing, que trouxe a público diálogos de autoridades envolvidas na operação paranaense.
O magistrado também direcionou suas críticas contra setores da comunicação que, em sua visão, foram coniventes com os excessos do passado.
"A propósito dessas idiossincrasias, também causa perplexidade, presidente, que os mesmos veículos que exaltaram a Lava Jato não tenham feito até hoje um mea-culpa ante os abusos comprovados pelos documentos da Operação Spoofing", disparou.
Sem poupar nomes, Gilmar alegou que profissionais de imprensa hoje renomados atuavam na verdade como redatores ocultos para os integrantes da operação. O ministro concluiu sua fala ironizando a competência intelectual e ortográfica de Moro, reiterando: "como todos sabem, e eu não quero constranger ninguém. Muitos jornalistas importantes, hoje talvez até promovidos na mídia qualificada, eram ghostwriters de Moro e companhia. E veja, Moro precisava de ter ghostwriters, porque talvez não soubesse escrever com G ou com J a palavra tigela".