
O filho do chefe do Executivo, o empresário, Fábio Luís Lula da Silva, teve sua privacidade financeira, tributária e de comunicações suspensa por determinação judicial. A medida ocorre no centro de apurações que buscam esclarecer fraudes em benefícios previdenciários do INSS.
A quebra foi chancelada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, no início do ano, e posteriormente ratificada pela CPMI que investiga a rede de corrupção. A reunião do colegiado que deu aval à medida foi palco de intensos bate-bocas entre congressistas.
Conforme documentação enviada pela Polícia Federal (PF) à Suprema Corte, Lulinha é referenciado em comunicações interceptadas entre os alvos da operação, além de ter seu nome citado em depoimentos e em um envelope coletado durante buscas.
Em um trecho específico, um lobista e Antônio Camilo Antunes — apelidado de “Careca do INSS” — tratam sobre “o filho do rapaz”. Embora o texto não traga o nome completo, a PF trabalha com a hipótese de que o apelido se refira ao filho de Lula. Entretanto, o magistrado ressaltou no despacho que ainda inexistem provas de uma “participação direta” do empresário nas irregularidades.
As investigações sobre o duto de desvios, que operava via sindicatos e associações, culminaram na Operação Sem Desconto em 2025. O foco recai sobre o suposto repasse de R$ 1,5 milhão feito por uma firma de Camilo Antunes para a RL Consultoria, de propriedade de Roberta Luchsinger.
Roberta, que possui laços de amizade com Fábio Luís, é peça-chave após uma conversa em que cita um pacote contendo “o nome do nosso amigo”, frase que teria alarmado o lobista do grupo. A empresária nega qualquer conduta ilícita.
Um antigo colaborador da organização investigada trouxe novos elementos ao prestar depoimento, alegando ter ouvido sobre remessas de dinheiro para Lulinha. Segundo essa testemunha, tais cifras não viriam do esquema previdenciário, mas seriam fruto de tráfico de influência para facilitar negócios entre o lobista e a pasta da Saúde.
Mesmo com o cerco se fechando através do acesso aos dados protegidos, a PF ressalta que o inquérito está em sua fase final e, até o momento, não houve uma acusação oficial contra o filho do presidente.