Lula questiona Zema sobre uso de R$ 3,5 bilhões destinados a Minas

Presidente afirma que recursos estavam disponíveis, mas governo mineiro não enviou documentação necessária

27/02/2026 às 17h04 Atualizada em 27/02/2026 às 17h10
Por: Natália Raquel
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Foto: RICARDO STUKERT/PR
Foto: RICARDO STUKERT/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (27) que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), não apresentou projetos para acessar R$ 3,5 bilhões disponibilizados pelo governo federal para obras de prevenção de desastres no estado.

A declaração foi feita durante a 6ª Conferência Nacional das Cidades, em Brasília, ao lado do ministro das Cidades, Jader Filho.

Segundo Lula, os recursos foram incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para intervenções como contenção de encostas e macrodrenagem — obras voltadas à redução de enchentes e deslizamentos.

Cobrança pública

Durante o evento, o presidente questionou o ministro sobre o que o governo mineiro precisava fazer para receber os valores. Jader Filho respondeu que o estado deveria apresentar projetos executivos e documentação técnica para viabilizar a contratação das obras.

Ao ser perguntado quantas propostas Minas havia encaminhado, o ministro afirmou: “Até agora nenhum”.

A fala ocorreu em meio a recentes episódios de chuvas intensas na Zona da Mata mineira, região frequentemente afetada por enchentes e deslizamentos.

Disputa sobre prevenção

Lula afirmou que o governo federal ampliou os recursos destinados à prevenção de desastres naturais. Segundo Jader Filho, a gestão anterior teria deixado apenas R$ 6 milhões no Orçamento para essa finalidade. Ele disse que o atual governo elevou o volume para mais de R$ 32 bilhões no conjunto das ações previstas.

O presidente defendeu que investimentos preventivos reduzem custos futuros com reconstrução e assistência emergencial. “Nosso governo se preocupa com prevenção”, afirmou.

PAC e exigências técnicas

O Programa de Aceleração do Crescimento prevê repasses mediante apresentação de projetos técnicos aprovados. Estados e municípios precisam enviar documentação detalhada para que os recursos sejam liberados. Sem esses documentos, a verba permanece autorizada, mas não pode ser executada.

Até a publicação desta reportagem, o governo de Minas Gerais não havia se manifestado sobre as declarações do presidente. O estado enfrenta, nas últimas semanas, novos episódios de chuvas intensas, com registros de alagamentos, deslizamentos de terra e famílias desalojadas, especialmente na Zona da Mata e em municípios do interior.

As ocorrências reacenderam o debate sobre obras estruturais de contenção de encostas e drenagem urbana. A fala de Lula ocorre nesse cenário de pressão por respostas e em meio a divergências políticas entre o Palácio do Planalto e governos estaduais de oposição, sobretudo em relação à execução de recursos federais para infraestrutura e prevenção de desastres.

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