Mulher quebra o silêncio sobre suposto objeto usado para matar cão Orelha: “Fortes indícios”

Uma professora relatou ter encontrado, na orla, uma haste de guarda-sol com deformações e marcas que levantaram suspeitas

02/03/2026 às 11h15
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Redes sociais // Domingo Espetacular
Reprodução: Redes sociais // Domingo Espetacular

A investigação sobre a morte do cão Orelha, ocorrida no início do ano em Florianópolis (SC), tomou um novo rumo após a localização de um objeto que pode ter sido usado durante a violência.

Uma professora relatou ter encontrado, na orla, uma haste de guarda-sol com deformações e marcas que levantaram suspeitas. A advogada, Antilia Reis, responsável pela assistência jurídica do caso, sustenta que existem "fortes indícios" de que o objeto esteja vinculado ao óbito do animal e planeja acionar a Justiça para contestar os exames periciais realizados até agora.

Cronologia e Descoberta

O falecimento de Orelha aconteceu em 5 de janeiro. Já o item foi achado apenas em 7 de fevereiro, oculto em uma área de mata próxima a um deck na praia. Conforme o relato da professora, a peça estava amassada e exibia manchas escuras, o que a levou a preservá-la e contatar grupos de proteção animal. O achado chegou a ser tema de uma reportagem no programa Domingo Espetacular.

A defesa questiona a demora na localização de provas físicas cruciais. Para Reis, é incompreensível que o possível objeto do crime não tenha sido procurado imediatamente após os primeiros diagnósticos:

"Se no primeiro atendimento veterinário já havia indicação de que um objeto contundente provocou o traumatismo que levou à morte, por que ninguém foi procurar", indagou a advogada.

O histórico clínico inicial de Orelha descrevia um quadro severo:

  • Trauma craniano agudo (especialmente no lado esquerdo);

  • Edema acentuado e deslocamento do globo ocular;

  • Hemorragias pelas vias aéreas e bucais;

  • Suspeita de quebras na mandíbula e no maxilar.

Entretanto, uma exumação solicitada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) trouxe um resultado divergente, afirmando não ter detectado fraturas no crânio ou ferimentos que comprovassem a intervenção humana direta. Por outro lado, o próprio laudo ressalta um detalhe técnico: a falta de ossos quebrados não anula a ocorrência de um traumatismo cranioencefálico fatal, já que muitas lesões mortais no cérebro não deixam marcas ósseas visíveis.

Próximos Passos Jurídicos

Inconformada com o desfecho da exumação, a advogada pretende solicitar o confronto direto entre a haste encontrada e a estrutura craniana do cão, inclusive cogitando testes de DNA. O foco é provar a ligação direta entre a pancada e o fim da vida do animal. Sobre a tese da defesa, ela reforça: "Não é uma certeza, mas temos fortes indícios".

Além disso, Reis planeja pedir ao Procurador-Geral da República que a investigação deixe o âmbito estadual e passe para a esfera federal.

Atualmente, a Polícia Civil (PC) foca em um adolescente, para quem já foi solicitada a internação provisória. Outros três jovens que estavam no radar das autoridades foram inocentados após o cruzamento de filmagens e dados de geolocalização. O episódio mantém a comunidade de Florianópolis em constante estado de mobilização.

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