STF invalida leis municipais que proibiam linguagem neutra nas escolas

Maioria dos ministros entendeu que apenas a União pode legislar sobre diretrizes da educação, tornando inconstitucionais normas de Goiás e Minas que proibiam o uso de linguagem neutra.

02/03/2026 às 13h27
Por: Natália Raquel
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Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do STF. Foto: Nelson Jr./STF
Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do STF. Foto: Nelson Jr./STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucionais duas leis municipais que proibiam o uso de linguagem neutra nas escolas de Águas Lindas de Goiás (GO) e Ibirité (MG). O julgamento de mérito foi concluído na semana passada e divulgado nesta segunda-feira, 2. Na prática, as normas estavam suspensas desde 2024 por decisões liminares do relator, ministro Alexandre de Moraes, depois referendadas pelo plenário.

A maioria dos ministros entendeu que apenas a União pode legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional, conforme prevê a Lei Federal nº 9.394/1996. Para o colegiado, cabe ao governo federal definir regras gerais do ensino, a fim de garantir uniformidade curricular em todo o País.Segundo Moraes, eventual suplementação por municípios ou estados para atender a interesses locais não autoriza a criação de proibições sobre conteúdo pedagógico. Assim, normas que extrapolem os limites fixados pela legislação federal devem ser consideradas inconstitucionais.Os ministros Cristiano Zanin, André Mendonça e Nunes Marques divergiram parcialmente do relator.

O que previam as leis

A lei de Ibirité definia “linguagem neutra” como a modificação de padrões linguísticos para anular ou indeterminar o masculino e o feminino na língua portuguesa. A norma previa sanções administrativas e eventual responsabilização civil e penal de agentes públicos que utilizassem esse tipo de linguagem.Já a lei de Águas Lindas de Goiás proibia o uso da linguagem neutra em escolas públicas e privadas, em editais de concursos e em ações culturais, esportivas ou publicitárias financiadas com recursos públicos.

As ações que questionaram as normas foram propostas pela Aliança Nacional LGBTI+ e pela Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas (ABRAFH).Com a decisão, as duas leis deixam de produzir efeitos de forma definitiva.

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