Estudo mostra que pessoas obcecadas por famosos apresentam menos inteligência; entenda

Para explorar essa relação, a equipe de cientistas submeteu 1.763 voluntários húngaros a uma bateria de avaliações, incluindo um teste de vocabulário com 30 itens e um exercício de substituição de símbolos numéricos

12/03/2026 às 13h03
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Virgínia Fonseca e Neymar - Reprodução: Redes Sociais
Virgínia Fonseca e Neymar - Reprodução: Redes Sociais

Um estudo publicado na BMC Psychology, no ano passado, trouxe à tona uma reflexão que, para muitos, pode soar como uma ofensa pessoal: a ideia de que pessoas excessivamente obcecadas com o cotidiano de celebridades em geral tendem a apresentar um nível menor de QI.

Para explorar essa relação, a equipe de cientistas submeteu 1.763 voluntários húngaros a uma bateria de avaliações, incluindo um teste de vocabulário com 30 itens e um exercício de substituição de símbolos numéricos. Paralelamente, os participantes responderam a uma pesquisa para mensurar o quanto estavam imersos no universo dos famosos.

O instrumento de avaliação continha sentenças específicas que exigiam uma resposta binária (sim ou não), como por exemplo: "Muitas vezes sinto a necessidade de conhecer os hábitos pessoais da minha celebridade favorita". Outras sentenças do questionário incluíam questionamentos como "Estou fascinado pelos detalhes da vida da minha celebridade favorita" e também situações extremas, como "Se eu tivesse a sorte de encontrar minha celebridade favorita e ela me pedisse para fazer algo ilegal como um favor, eu provavelmente faria".

Ao cruzar os dados de desempenho linguístico e lógico-matemático com as respostas sobre o ídolo, o levantamento apontou uma conclusão clara: “existe uma correlação direta entre a adoração a celebridades e um desempenho mais fraco em testes cognitivos”. Em outras palavras, a tendência era que quanto maior o grau de devoção aos ídolos, menor a pontuação nas métricas de capacidade cognitiva.

Embora o levantamento tenha considerado variáveis como renda, patrimônio e grau de escolaridade, não se estabeleceu uma relação definitiva de causa e efeito entre essas condições socioeconômicas e os resultados encontrados.

Ainda assim, os autores ponderam a dificuldade de precisar se o baixo rendimento cognitivo é uma característica preexistente dos fãs fervorosos ou se o fenômeno ocorre porque eles drenam sua energia mental focando intensamente na vida alheia.

Em declaração ao PsyPost, a equipe científica ponderou: “Pesquisas futuras devem buscar mais evidências para nossa hipótese de que o esforço cognitivo despendido na obsessão por uma celebridade favorita pode prejudicar o desempenho do indivíduo em tarefas que requerem atenção e outras habilidades cognitivas.”

O estudo finaliza com um conselho cauteloso: "Embora nossa pesquisa não comprove que nutrir uma obsessão intensa por sua celebridade favorita resulte em um desempenho inferior nos testes cognitivos, ela sugere que pode ser sensato monitorar de perto os sentimentos por essas personalidades.".

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