
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil revogou o visto de entrada de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos, que desembarcaria no país na próxima semana. A decisão, anunciada pelo Itamaraty, fundamenta-se na omissão e no falseamento de informações cruciais sobre o real objetivo da viagem durante o processo de solicitação do documento em Washington.
Segundo o governo brasileiro, a medida está estritamente alinhada à legislação nacional e aos tratados internacionais de diplomacia. O impasse ganhou força após a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma autorização para que Beattie o visitasse no Complexo Penitenciário da Papuda, onde Bolsonaro cumpre pena de 27 anos por liderar a tentativa de golpe de Estado.
Nesta quinta-feira (10), o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido de visita. Ao consultar o Itamaraty, o ministro constatou que o encontro com o ex-presidente não constava na agenda oficial comunicada à diplomacia brasileira. A Embaixada dos Estados Unidos havia informado apenas que Beattie participaria de um evento sobre minerais críticos em São Paulo, omitindo qualquer agenda política em Brasília.
O Itamaraty reforçou que um encontro não oficial entre um assessor da Casa Branca e um preso condenado por crimes contra o Estado poderia ser configurado como "ingerência indevida em assuntos internos do Brasil". O episódio gerou reações no alto escalão; o presidente Lula chegou a comentar o caso de forma irônica, condicionando a flexibilização de vistos diplomáticos à reciprocidade em casos envolvendo autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre Padilha.