
A Polícia Federal (PF) deu início à coleta de depoimentos com influenciadores digitais que receberam propostas financeiras para promover o Banco Master e hostilizar rivais de Daniel Vorcaro. Entre os que já corroboraram as abordagens e forneceram detalhes aos agentes está o vereador, Rony Gabriel (PL-RS).
O inquérito busca esclarecer uma onda de ataques virtuais contra o Banco Central após a dissolução da instituição bancária de Vorcaro. Uma análise identificou um movimento coordenado nas plataformas digitais, com ápice em 27 de dezembro e totalizando 4.560 postagens. O principal alvo da ofensiva era Renato Dias Gomes, ex-diretor do BC, que bloqueou a aquisição do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB).
As apurações apontam que a prospecção desses influenciadores era operada pela agência Mithi, de Thiago Miranda (ex-gestor de Léo Dias), e por André Salvador, da empresa UNLTD. Procurados, os envolvidos e a defesa de Vorcaro mantiveram silêncio ou alegaram ausência de acesso aos autos. Léo Dias reforçou anteriormente que Miranda encerrou sua gestão em meados de 2025.
Rony Gabriel, pioneiro ao expor o esquema, detalhou aos investigadores como a proposta (vendida como gestão de crise) ganhou contornos específicos em uma videoconferência. O parlamentar relatou: "Foi realizado através do Google Meet. É nesse momento, nessa reunião do Google Meet, aí sim ele deixa claro do que se trata. 'A gente é uma empresa de gestão de crise. A gente foi contratado por um executivo grande', como ele já tinha escrito também por WhatsApp. E que se tratava do senhor Daniel Vorcaro, do caso Banco Master". Após a revelação do nome, Rony destitui-se do trabalho.
A PF encontrou registros no aparelho de Vorcaro que revelam um método replicado em portais de notícias: a compra de espaços publicitários para fomentar ataques a terceiros. A finalidade, segundo os investigadores, era manipular a percepção pública para pressionar o TCU a reverter a liquidação do banco.
Em relatório remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), os federais registraram: "As matérias citadas seguem o mesmo modus operandi identificado e reportado ao longo desta representação policial, somando-se, todavia, que, ao mesmo tempo em que buscavam enaltecer o Banco Master, as matérias passaram a lançar ataques ao processo de liquidação determinado pelo Banco Central, ao tempo em que se discutia mencionada liquidação junto ao TCU, que emitia sinais públicos de que anularia o ato praticado".
Essa estratégia de cooptação já era conhecida. Em episódios anteriores, Vorcaro orientou subordinados a transformar veículos críticos em aliados, sugerindo: "Cara, vamos contratar eles pra fazer isso com os outros. E não comigo. Usar eles pra bater nos inimigos. Aí eu faria um pacote patrocínio mensal". O site citado negou qualquer vínculo contratual. Tais elementos foram cruciais para a nova prisão preventiva do empresário, decretada pelo ministro André Mendonça em 4 de março.