Governo Lula admite favoritismo de Tarcísio em SP e aumenta pressão para as eleições 2026

O chefe do Executivo estadual mantém a dianteira mesmo em cenários alternativos, seja contra o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ou frente aos ministros Simone Tebet (MDB) e Márcio França (PSB)

16/03/2026 às 15h46 Atualizada em 16/03/2026 às 15h53
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: UOL
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Governador de São Paulo Tarcísio de Freitas - Reprodução: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP
Governador de São Paulo Tarcísio de Freitas - Reprodução: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

Diante do favoritismo do Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a meta da cúpula governista petista é “fazer a melhor campanha possível” no maior colégio eleitoral brasileiro. Dentro da legenda, a percepção é de que Fernando Haddad é a figura mais qualificada para o embate, embora o próprio núcleo do partido reconheça que o cenário atual se apresenta bastante desafiador.

As pesquisas de intenção de voto confirmam a liderança isolada do governador. Dados do Datafolha publicados recentemente mostram Tarcísio com 44% da preferência, superando os 31% atribuídos a Haddad. O chefe do Executivo estadual mantém a dianteira mesmo em cenários alternativos, seja contra o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ou frente aos ministros Simone Tebet (MDB) e Márcio França (PSB).

Haddad ingressou nesta disputa por solicitação direta de Lula. Inicialmente, seu plano era abdicar do Ministério da Fazenda para gerenciar a reeleição presidencial, visando, posteriormente, “abocanhar uma Casa Civil num novo governo”, tudo isso mantendo-se distante de pleitos eleitorais.

Contudo, prevaleceu a postura de “militante fiel”. Sob a influência de Edinho Silva, o ministro foi convencido de que sua candidatura seria vital para sustentar a base eleitoral do presidente. Membros da sigla reforçam que a meta é disputar “pra valer”, priorizando a construção de um palanque consolidado.

O governo federal projeta uma chapa abrangente em São Paulo, trazendo nomes nacionais para compor o Legislativo:

  • Senado: Movimentações para “importar” Tebet e Marina Silva (Rede).

  • Câmara dos Deputados: Possível inclusão de Márcio França, além da mobilização de ministros como Alexandre Padilha, Luiz Marinho e Paulo Teixeira.

O PT se espelha no desempenho de 2022, quando Haddad promoveu a campanha mais expressiva do partido ao governo local nas últimas duas décadas, alcançando um segundo turno, um marco inédito desde 2002. Apesar do revés frente a Tarcísio (55% a 44%), os petistas acreditam que o avanço nas urnas, especialmente na capital, foi crucial para garantir a ascensão de Lula à Presidência. A ideia é replicar esse êxito em 2026, agora direcionando o esforço contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Nesta jornada, Haddad contará com o auxílio de Alckmin, cujo legado no interior paulista durante a era PSDB ainda ressoa, apesar do desgaste político resultante de sua aliança estreita com Lula.

A estratégia comunicacional deverá equilibrar as pautas progressistas com a imagem técnica do ministro. Haddad, mesmo em uma administração que demonstra resistência a certas medidas fiscais, assumiu o protagonismo no controle de despesas. Sua atuação como “fiador do déficit zero” é encarada pelo comitê de campanha como um diferencial estratégico para atrair o eleitorado paulista de perfil conservador.

Em caso de recondução de Lula ao poder, o caminho do ministro permanece traçado: cotado para a Casa Civil no próximo mandato, ele deve se posicionar estrategicamente para as movimentações políticas de 2030.

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