
Novos desdobramentos das investigações sobre o celular do banqueiro Daniel Vorcaro trazem à tona detalhes da circulação de figuras influentes em seus espaços exclusivos. Segundo informações reveladas nesta terça-feira (17) pela coluna de Mônica Bergamo, no jornal Folha de S.Paulo, mensagens recuperadas do aparelho comprovam que o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro do STF Luiz Fux, foi convidado pessoal do empresário no Carnaval de 2025.
Os diálogos detalham que o filho do ministro foi recebido na área VIP do camarote Alma Rio, na Marquês de Sapucaí, durante o Desfile das Campeãs. A coluna de Mônica Bergamo teve acesso às orientações diretas de Vorcaro a uma assessora sobre a recepção do advogado. Em um dos trechos, o banqueiro escreve: "Fux, por [no espaço] VIP". Na mesma sequência de mensagens, o empresário também autoriza a inclusão da atriz Sophie Charlotte no espaço reservado: "Pode demais"
O espaço em questão era uma associação entre Vorcaro e o empresário Álvaro Garnero. O dono do Banco Master financiava a estrutura e mantinha um nível de exclusividade ainda maior no terceiro andar, acima da área VIP convencional.
Diversos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm seus nomes entrelaçados aos desdobramentos das investigações sobre Daniel Vorcaro, seja por decisões judiciais diretas ou por citações de familiares em mensagens recuperadas pela Polícia Federal. Um dos nomes centrais é o do ministro Alexandre de Moraes, cujo número funcional teria sido o destino de mensagens de Vorcaro questionando sobre bloqueios judiciais. Além disso, o caso ganhou repercussão após a revelação de que o Banco Master firmou um contrato milionário com o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
O ministro Luiz Fux também aparece no cenário devido às atividades de seu filho, o advogado Rodrigo Fux. Mensagens obtidas pela coluna de Mônica Bergamo indicam que Rodrigo teria sido convidado pessoal do banqueiro para áreas exclusivas na Sapucaí durante o Carnaval de 2025. Apesar da proximidade sugerida nos diálogos, o ministro Fux manteve o rigor jurídico em suas decisões recentes, votando no plenário do STF pela manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro.
Outro magistrado citado no contexto de negócios do ex-banqueiro é o ministro Dias Toffoli. As investigações apontam que fundos de investimento ligados a Vorcaro adquiriram participação em um resort no Paraná que pertencia a uma empresa da qual Toffoli era sócio, o que levanta questionamentos sobre a extensão das relações comerciais do controlador do Banco Master com pessoas próximas à cúpula do Judiciário.
Por fim, o ministro André Mendonça desempenha um papel técnico e decisivo como relator do caso no STF. Foi Mendonça quem determinou a segunda prisão de Vorcaro e, diante da gravidade das denúncias de obstrução de justiça e monitoramento de autoridades, ordenou a transferência do empresário para uma unidade de segurança máxima no Distrito Federal, endurecendo o cerco contra a suposta organização criminosa liderada pelo banqueiro.