
A deputada federal, Erika Hilton (PSOL-SP), enfrenta uma disputa judicial movida pela organização feminista Matria. A entidade ingressou com um processo no último domingo (22) contestando o teor de uma postagem da parlamentar nas redes sociais, considerada ultrajante à honra de um grupo de mulheres.
O foco da discórdia são termos como “transfóbicos e imbecis”, “esgoto da sociedade” e a provocação de que críticos “podem latir”, utilizados por Hilton após sua ascensão histórica à presidência da Comissão da Mulher da Câmara, sendo a primeira mulher trans a chefiar o colegiado.
Segundo o portal Metrópoles, a Matria pede medidas imediatas na Justiça, como: a exclusão do conteúdo em até 24 horas, uma publicação de um pedido formal de desculpas e uma condenação ao pagamento de R$ 500 mil, montante que seria revertido ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), sob tutela do Ministério da Justiça.
A manifestação da deputada no X (antigo Twitter) ocorreu em um momento de celebração política, onde ela destacou sua vitória sobre setores do centrão e da extrema direita, conectando o cargo à sua trajetória de superação contra a marginalização.
Confira o posicionamento da parlamentar na íntrega:
"Hoje dei mais um passo na reparação da minha própria história e também na reparação da história de tantas mulheres que tiveram suas dignidades negadas.
Porque não é apenas a questão trans que determina como uma mulher será tratada ou destratada A raça, a classe, o CEP e tantas outras condições ainda definem, quem tem direitos garantidos e quem precisa lutar todos os dias para existir com dignidade.
Por isso, hoje ocupei com honra, alegria e um sabor muito especial de vitória a presidência da Comissão da Mulher (uma vitória construída enfrentando e derrotando o centrão e a extrema direita).
E não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa.
Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubada pelo preconceito e discriminação.
Hoje fiz história pela minha comunidade, que ainda enfrenta os piores índices em praticamente todos os aspectos da vida social.
E é isso que vai ficar: não o ódio, não o ranço, não a raiva dos que tentam nos apagar. Podem espernear.
Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher.
E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui.
E agora faremos um debate sobre todas as mulheres pq somente unidas podemos frear a violência que nos assola".
O caso agora aguarda análise do Poder Judiciário para determinar se houve abuso no exercício da liberdade de expressão ou ofensa coletiva.