
A reviravolta na carreira de Rodrigo Bocardi ilustra perfeitamente o ditado de que “O mundo não gira, ele capota”. O jornalista, que em janeiro de 2025 enfrentou o encerramento abrupto de seu contrato com a Globo, viu-se no centro de uma polêmica institucional. Na época, o comunicado do canal foi incisivo ao justificar a saída “... por descumprir normas éticas do Jornalismo da Globo”.
Entretanto, o cenário em março de 2026 revela uma realidade oposta. Com um crescimento de 50% em sua base de fãs digitais, o comunicador agora concentra esforços na finalização da sede própria de sua emissora digital, a BocaTV.
O prédio está em reforma. Fica numa esquina da Avenida Faria Lima, o epicentro do mercado financeiro do país, na zona oeste de São Paulo. O metro quadrado do aluguel de escritórios ali custa R$ 290, o mais caro da metrópole.
Abraçado ao jornalismo participativo, em que cidadãos anônimos enviam vídeos de denúncias, o BocaTV tem o apoio do empresário e investidor João Brasio, CEO da Elytron Cybersecurity e chairman da festa Golden Globes Tribute Gala Brazil, realizada este mês no Rio.
Após se despedir da bancada do "Bom Dia SP" e das escalas do "Jornal Nacional", Bocardi chegou a trabalhar em uma parceria com o SBT durante um encontro informal, mas as tratativas não prosperaram. Diante da ausência de propostas das gigantes da TV aberta, ele seguiu a tendência de outros colegas de profissão e apostou em sua própria emissora.
Essa transição para o universo on-line oferece vantagens estratégicas,como: uma rede que permite que jornalistas gerem receita sem intermediários. O profissional se livra das rígidas diretrizes dos conselhos editoriais das grandes redes. E ao focar em utilidade pública, Bocardi estreita laços com o eleitorado e abre portas para parcerias com esferas governamentais, incluindo a captação de recursos via publicidade estatal.