
A cúpula do Poder Executivo analisa com cautela os elementos que impulsionaram o crescimento da rejeição à administração de Luiz Inácio Lula da Silva no último mês. Dados do levantamento AtlasIntel, publicados nesta quarta-feira (25), revelam que a desaprovação ao governo de Lula atingiu 53,5%, enquanto o suporte popular ficou em 45,9%.
Embora o cenário acenda alertas, auxiliares diretos do mandatário buscam relativizar o incremento dos índices negativos. Na visão de aliados próximos ao presidente, o encarecimento dos derivados de petróleo foi o principal catalisador desse movimento.
A percepção interna é que a coleta de dados ocorreu justamente durante o pico de volatilidade nos preços da gasolina, registrado entre 18 e 23 de março, o que teria contaminado a percepção do eleitorado.
O monitoramento governamental também se debruça sobre o distanciamento de dois grupos específicos: os mais novos e os mais velhos.
Juventude (16 a 24 anos): Foi onde se observou o revés mais drástico, com a insatisfação saltando de 58,6% para expressivos 72,7%.
Terceira Idade (60 anos ou mais): O descontentamento rompeu a barreira da maioria, subindo de 39,2% para 50,8%.
Ao confrontar os dados atuais com o balanço de fevereiro, quando a aprovação era de 46,6% e a reprovação somava 51,5%, fica evidente um processo de desgaste da imagem governamental.
Abaixo, os detalhes demográficos e regionais que desenham o atual momento político:
| Categoria | Perfil do Desgaste |
| Gênero | Rejeição predominante entre homens (63,1%), enquanto nas mulheres o índice cai para 45,9%. |
| Religião | Crítica severa no segmento evangélico, onde a desaprovação alcança 85,5%. |
| Idade | O suporte é mais resiliente no público de 45 a 59 anos, com reprovação de apenas 43,7%. |
| Geografia | O Centro-Oeste lidera a oposição com 65,9% de desaprovação. Já o Nordeste permanece como o bastião governista, com aprovação (55,6%) superando a desaprovação (43,9%). |
O desgaste acumulado reflete não apenas questões econômicas pontuais, mas também desafios de comunicação com nichos específicos que antes eram mais permeáveis ao discurso do Palácio do Planalto.