Deputados cobram respeito de Lula após fala sobre 'indicação de miliciano'; entenda

“Quando começou esse processo, eu falei: ‘Se a Assembleia indicar, vai vir o mesmo’. Se a Assembleia tivesse que indicar, viria um miliciano”, declarou o chefe do Executivo federal

25/05/2026 às 12h05
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Ton Molina/Getty Images
Reprodução: Ton Molina/Getty Images

O Poder Legislativo do Rio de Janeiro manifestou-se prontamente no sábado (23) em resposta às falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, proferidas durante um evento na Fiocruz. O mal-estar foi provocado pela declaração de Lula de que receava que a nomeação do governador fosse conduzida pelo Legislativo local.

"Quando começou esse processo, eu falei: ‘Se a Assembleia indicar, vai vir o mesmo’. Se a Assembleia tivesse que indicar, viria um miliciano", declarou o chefe do Executivo federal.

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) é atualmente liderada por Douglas Ruas, parlamentar do PL e aliado da família de Jair Bolsonaro. O PL detém a bancada mais expressiva na Casa, composta por 23 integrantes, enquanto a legenda de Lula, o PT, conta com cinco assentos.

Por meio de um comunicado oficial, o órgão legislativo sustentou que "respeita as instituições e espera o mesmo respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do presidente da República". A nota classificou como "inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro". Segundo a instituição, "A Alerj é uma instituição democrática, legítima e merece respeito".

No domingo (24), Ruas recorreu às redes sociais para confrontar o presidente, argumentando que ele "desrespeitou o povo" carioca. "Lula veio ao Rio e, mais uma vez, desrespeitou o nosso povo, fazendo ataques generalizados. Lula e o seu amigo Eduardo Paes não têm moral para dar lição sobre o combate ao crime organizado", retrucou o deputado.

O embate não se restringiu à Alerj. Lula também exigiu que o governador interino, Ricardo Couto, combata o crime organizado com rigor. "Sabe o que essas pessoas esperam de você nesses meses? Trabalho para prender todos os ladrões que governaram esse estado e deputados que fazem parte de uma milícia organizada", disparou o presidente na cerimônia de entrega do CDTS, na Fiocruz.

O governador provisório assumiu o posto após a saída de Cláudio Castro (PL), que se desincompatibilizou para concorrer ao Senado. A gestão de Couto tem sido marcada por auditorias em atos da administração anterior, gerando tensões políticas. Além disso, o ex-governador é investigado pela Polícia Federal por suposto uso da estrutura estadual para favorecer ilícitos da Refit.

Couto, presidente do Tribunal de Justiça, ocupa o Palácio Guanabara desde 24 de março sob tutela do Supremo Tribunal Federal (STF). A indefinição sobre o sucessor definitivo para encerrar o mandato atual cria um ambiente de incerteza jurídica. Integrantes do PL comparam o cenário a uma intervenção do Judiciário no Executivo local, especialmente porque a eleição de Douglas Ruas para a presidência da Casa, em 14 de abril, alteraria a linha sucessória estadual.

Em sua nota, a Alerj também frisou que o Rio lida com "desafios históricos na segurança pública", que derivam "à ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas em todo o país". A Assembleia enfatizou que "o momento exige união institucional, equilíbrio e responsabilidade, e não declarações que estimulem divisão política ou prejulguem instituições", assegurando que manterá suas atividades em prol da democracia e da segurança da população fluminense.

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