
O pré-candidato ao Palácio do Planalto pela legenda do PL, Flávio Bolsonaro, tem agenda marcada para os próximos dias com a cúpula do partido em Minas Gerais. O objetivo central é bater o martelo sobre qual nome a agremiação apoiará na corrida pelo governo mineiro no pleito de outubro.
Minas Gerais, reconhecida como o segundo mais relevante colégio eleitoral do país, exerce um papel determinante nas escolhas nacionais. Vale notar que seu principal rival na disputa, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda não consolidou um nome para representar seu projeto no estado.
Domingos Sávio, deputado federal e dirigente do PL mineiro, declarou ao portal g1 que o plano é selar o acordo antes do próximo giro de Flávio por Belo Horizonte, agendado para o início de junho. O intuito é que o presidenciável use a passagem pela capital para fortalecer seu aliado local. “Estarei em Brasília e devo me encontrar com ele [Flávio] e com o senador Cleitinho [Azevedo, do Republicanos] na segunda (25) ou terça-feira (26)”, adiantou Sávio.
Com as convenções partidárias, momento de oficialização das chapas, se aproximando em menos de 60 dias, o PL ainda avalia dois caminhos principais: chancelar o nome do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ou lançar um quadro independente. Para uma eventual candidatura própria, os perfis em análise incluem Flávio Roscoe, antigo líder da FIEMG, e Vittorio Medioli, ex-mandatário de Betim.
O pacto firmado entre PL e Republicanos estabelece que, caso os bolsonaristas sigam em carreira solo, o Republicanos terá a prerrogativa de indicar o ocupante da vice-governadoria.
Outrora cotada, a composição com o atual chefe do Executivo estadual, Mateus Simões (PSD), foi refutada. “Temos uma boa relação com o governador, mas o fato de ele estar no mesmo palanque de [Romeu] Zema [Novo] e integrar o mesmo partido de Ronaldo Caiado dificulta as coisas”, explicou Sávio.
Embora o desgaste da imagem de Flávio após o caso envolvendo Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, tenha gerado ruídos, o dirigente mineiro rechaça que isso tenha influenciado as articulações. Ele sublinha que a parceria com os republicanos foi anterior ao episódio e defende a coesão do espectro conservador contra o petismo.
“A reunião em que foi definida a aliança entre PL e Republicanos aconteceu antes da divulgação do áudio entre Flávio e Vorcaro. De qualquer forma, não defendemos um rompimento por causa de uma fala infeliz do Zema. A direita precisa estar unida com o propósito de tirar o PT do governo”, concluiu.
Conforme registrado pelo colunista Lauro Jardim, do periódico O Globo, Zema tem elevado o tom das investidas contra o senador, amparado em levantamentos internos, na tentativa de se firmar como uma terceira via. Antes do imbróglio com Vorcaro vir a público, contudo, a relação entre ambos era de cordialidade, chegando a cogitarem uma dobradinha na chapa presidencial.