
Embora o filme “Dark Horse” tenha impactado o desempenho eleitoral de Flávio Bolsonaro, a resiliência de seu eleitorado permanece intacta. De acordo com um estudo do Datafolha publicado na sexta-feira (22), 88% dos apoiadores do senador sustentam que ele deve prosseguir com sua candidatura ao Planalto para 2026, a despeito das polêmicas associadas ao investidor Daniel Vorcaro.
A consulta, efetuada entre os dias 20 e 21 de maio, com a participação de 2.004 cidadãos em 139 municípios, revela que a parcela mais entusiasta do bolsonarismo mantém sólida adesão ao herdeiro do antigo governante, ignorando as turbulências provocadas pela denúncia.
Há poucos dias, o portal Intercept Brasil trouxe à tona que Flávio buscou aporte financeiro junto ao então banqueiro Daniel Vorcaro para viabilizar a produção de “Dark Horse”, obra focada na jornada política de Jair Bolsonaro. Vorcaro, hoje custodiado, estava à frente do Banco Master, epicentro de um dos episódios mais graves do mercado financeiro recente.
Após refutar o ocorrido inicialmente, o parlamentar admitiu a solicitação de verbas e confirmou ter se reunido com o empresário após sua prisão.
Conforme o Datafolha, 72% dos votantes de Flávio declaram ter ciência da controvérsia, taxa acima dos 64% observados no conjunto da população. No círculo mais fiel, 38% dizem estar bem a par do desenrolar dos fatos.
Ainda assim, as repercussões políticas entre os seguidores foram reduzidas. Para 73% dos eleitores do senador, a credibilidade depositada nele segue firme. Além disso, 54% concordam que existia um vínculo estreito entre Flávio e Vorcaro, ao passo que 53% julgam apropriada a iniciativa de buscar recursos junto ao banqueiro para a produção cinematográfica.
Tais dados divergem profundamente da visão do eleitorado amplo. No todo da amostra, 48% defendem a renúncia do senador ao projeto presidencial e 64% sentenciam que ele “agiu mal” no decorrer do caso.
Apesar da lealdade demonstrada por seu grupo, a sondagem captou prejuízos objetivos nas urnas. Nas projeções para a etapa inicial, o percentual de Flávio regrediu de 35% para 31%. Na rodada decisiva, o indicador migrou de 45% para 43%.
Em contrapartida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou crescimento em ambas as frentes: de 38% para 40% na primeira rodada e de 45% para 47% no confronto direto.
O instituto também avaliou eventuais sucessores dentro do campo bolsonarista. Caso o senador aborte sua pretensão, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro desponta como a favorita entre seus próprios eleitores.
Ela foi apontada por 60% dos admiradores de Flávio como a sucessora natural. Na contagem do eleitorado total, este valor recua para 39%.
Na sequência surgem Eduardo Bolsonaro, com 15% na preferência do nicho de Flávio, seguidos pelos chefes dos Executivos estaduais Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
Por fim, o levantamento evidencia o vigor da devoção ao ex-presidente Jair Bolsonaro: 92% dos que o escolheram em 2022 afirmam não ter qualquer remorso pela decisão.