
A equipe responsável pela pré-candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) observa com atenção a movimentação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que partiu rumo aos Estados Unidos na noite de domingo (24). O parlamentar busca viabilizar um diálogo com o presidente norte-americano, Donald Trump, em um momento de intenso abalo à sua imagem pública, decorrente do vazamento de diálogos comprometedores com o financista Daniel Vorcaro. Essa articulação acontece apenas vinte e um dias depois de Lula ter sido acolhido por Trump na Casa Branca para uma conferência que se estendeu por três horas.
No núcleo petista, a finalidade exata desse possível intercâmbio de Flávio com o líder republicano ainda é uma incógnita. Contudo, os estrategistas do governo supõem que a intenção principal do senador seja redirecionar a atenção da opinião pública para longe de seus vínculos com Vorcaro. Gravações divulgadas há catorze dias expuseram o político solicitando verbas ao dono do Banco Master para patrocinar um longa-metragem sobre a trajetória de seu genitor, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Pouco tempo depois, também foi noticiada uma incursão presencial de Flávio a Vorcaro, justamente quando o executivo cumpria regime de encarceramento domiciliar na capital paulista.
Nas projeções traçadas pelo staff lulista, uma eventual manifestação de apoio de Trump a Flávio é interpretada como um cenário favorável à reeleição do petista, visto que sondagens apontam uma forte rejeição ao mandatário dos EUA por parte do eleitorado brasileiro, o levantamento mais recente da Quaest revela que 48% da população nutre uma percepção desfavorável em relação ao país norte-americano. Vale notar que Lula manteve suas ressalvas críticas ao republicano mesmo após consolidar uma aproximação diplomática com o chefe de Estado.
Por outro lado, caso o governante americano sinalize qualquer retaliação ou postura adversa aos interesses brasileiros, o ganho político para Lula seria ainda mais expressivo. Tal desfecho serviria para blindar o discurso de soberania sustentado pelo Palácio do Planalto, permitindo que o presidente impute a seu maior rival a pecha de atuar em detrimento da nação. Caso a tentativa de audiência de Flávio seja frustrada pela ausência de recepção por parte de Trump, a campanha petista pretende explorar o episódio como uma evidência da “falta de prestígio do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro”.