Campanha de Flávio contrata publicitário que já trabalhou para Simone Tebet

A mudança ocorre em um cenário de turbulência gerado por um áudio endereçado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master

26/05/2026 às 15h08
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Compartilhe:
Reprodução: Jefferson Rudy/Agência Senado
Reprodução: Jefferson Rudy/Agência Senado

O Partido Liberal (PL) confirmou a nomeação de Alexandre Oltramari para assumir a publicidade da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto, substituindo Marcello Lopes na função.

A mudança ocorre em um cenário de turbulência gerado por um áudio endereçado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. No material, o postulante à Presidência solicitava aportes financeiros para viabilizar uma produção cinematográfica sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro.

Rogério Marinho (PL-RN), que lidera a coordenação do projeto eleitoral, oficializou a chegada de Oltramari e a nova função de Eduardo Fischer. Este último, inicialmente apontado como responsável pelo marketing, passará a atuar como consultor estratégico, cabendo a ele desenhar o posicionamento e as diretrizes do grupo. Oltramari, por sua vez, assumirá o comando efetivo da comunicação.

Com um histórico que inclui parcerias frequentes com Fischer, Oltramari acumula passagens por diversas disputas eleitorais. Ele já participou das articulações presidenciais de Aécio Neves (2013) e Álvaro Dias (2018), do pleito de Simone Tebet ao Senado (2014), da tentativa de reeleição de Marconi Perillo ao Executivo goiano (2010), além da empreitada de Marta Suplicy pela prefeitura paulistana (2016).

Por sua vez, Fischer, nome por trás de peças publicitárias icônicas como a "Brahma número 1" e o retorno do "Baixinho da Kaiser", retoma uma dinâmica colaborativa com Oltramari que já havia sido testada na corrida presidencial de Álvaro Dias, cuja chapa obteve 859 mil votos. O publicitário também é reconhecido pela Academia Brasileira de Marketing (Abramark) como o mentor do projeto "É Tempo de Brasil", ocorrido no Louvre durante o Mundial de 1998, e preside a Agência Fischer.

A destituição de Marcello Lopes foi motivada por pressões internas. Relatos obtidos pelo UOL indicam que o desempenho de Lopes era alvo de contestações, especialmente pela gestão considerada inadequada da imagem do senador perante a crise. Aliados próximos pressionaram pela substituição imediata.

O pivô do desgaste foi a revelação, pelo Intercept Brasil, de interações entre Flávio e Vorcaro sobre um investimento de R$ 134 milhões para o longa "Dark Horse". Conforme apurado pelo UOL junto a Thiago Miranda, proprietário da agência digital que facilitou a ponte com o banqueiro, R$ 61 milhões chegaram a ser repassados.

Em sua defesa, o senador admitiu as conversas, mas assegurou que "não ofereceu vantagens" em troca do recurso, sublinhando tratar-se de "dinheiro privado". Sobre o contato mantido com o ex-banqueiro logo após sua prisão em novembro de 2025, Flávio declarou: "Fui, sim, ao encontro dele [Vorcaro] para botar um ponto final nessa história". A representação jurídica de Vorcaro optou por não se manifestar.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários