Claudio Castro é alvo de operação da PF contra aportes de R$3,7 bilhões em fundos do Master

O montante, segundo as autoridades, provém do Rioprevidência, entidade responsável pela gestão das pensões e aposentadorias de 235 mil beneficiários do Estado

27/05/2026 às 12h52
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Lula Marques/Agência Brasil
Reprodução: Lula Marques/Agência Brasil

Na terça-feira (26), a Polícia Federal (PF) deflagrou a oitava etapa da Operação Compliance Zero, direcionada a apurar supostos desvios financeiros que orbitam o Banco Master. O ex-governante fluminense Cláudio Castro (PL) figura como um dos alvos da ação.

Os investigadores examinam o repasse de R$ 3,7 bilhões de verbas públicas estaduais para o grupo liderado pelo magnata Daniel Vorcaro. O montante, segundo as autoridades, provém do Rioprevidência, entidade responsável pela gestão das pensões e aposentadorias de 235 mil beneficiários do Estado.

Para mensurar a dimensão do caso: a folha mensal dos inativos e pensionistas custa cerca de R$ 2,1 bilhões aos cofres públicos. Portanto, a quantia aplicada no referido banco equivale a quase dois meses de pagamentos a esses servidores.

Com mandados expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, os agentes efetuaram dez ordens de busca e apreensão entre o Rio de Janeiro e o Distrito Federal. Uma das diligências ocorreu na residência do ex-gestor, uma cobertura de luxo na Península, na Barra da Tijuca. A operação no local estendeu-se por três horas, culminando na apreensão de dois aparelhos celulares.

O advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Castro, garantiu que seu cliente acompanhou a diligência “com serenidade”. A banca de advogados refutou qualquer envolvimento pessoal impróprio com Vorcaro. Já os representantes legais de Deivis Marcon Antunes e do próprio banqueiro optaram por não emitir pronunciamentos.

Este é o segundo revés policial enfrentado por Castro em menos de 15 dias. Em 15 de maio, o ex-governador foi alvo da Operação Sem Refino, que investiga possíveis irregularidades fiscais na Refit, sucessora da Refinaria de Manguinhos.

Antecedentes e CPI

A atual fase é um desdobramento da Operação Barco de Papel, iniciada em janeiro, que já havia detectado movimentações atípicas de R$ 970 milhões do Rioprevidência rumo ao Master entre o fim de 2023 e meados de 2024. Naquele período, Deivis Marcon Antunes presidia a autarquia e acabou detido em fevereiro. Na terça (27), a PF retornou à residência de Deivis, em Botafogo.

Segundo os federais, a nova etapa foca em aplicações subsequentes que somam R$ 2,01 bilhões realizadas a partir de julho de 2024, elevando o total transferido para o conglomerado a cerca de R$ 3,7 bilhões.

Na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o deputado Flávio Serafini (PSOL) lidera a articulação para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de vasculhar esses investimentos. De acordo com o levantamento dos parlamentares, a Cedae também teria direcionado R$ 200 milhões à instituição financeira. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) chegou a vedar novos aportes, mas parte dos recursos teria sido injetada mesmo após tais avisos.

A nota da defesa

“A defesa do ex-governador Cláudio Castro informa que ainda não teve acesso aos autos do processo na íntegra e, portanto, não pode comentar detalhes de elementos que desconhece na totalidade.

A defesa nega de forma categórica qualquer relação pessoal indevida entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro. Os contatos entre ambos aconteceram em agendas oficiais, institucionais e também em encontros sociais e de networking, comuns ao exercício da função pública e à relação com representantes do setor empresarial, sem qualquer tratativa ilícita, favorecimento ou recebimento de benefício pessoal.

A defesa esclarece ainda que Cláudio Castro não conhece o citado Ricardo apontado como suposto intermediário ou elo entre ele e Daniel Vorcaro.

Também não procede a informação de que viagens, passagens ou despesas pessoais de Cláudio Castro tenham sido custeadas por Daniel Vorcaro, assim como não houve qualquer tipo de benefício pessoal recebido pelo ex-governador.

Todos os investimentos realizados pelo Rioprevidência seguiram fluxos técnicos, jurídicos e administrativos próprios da autarquia, dentro dos limites aprovados pelo Conselho de Administração e em conformidade com as regras previstas na Resolução CMN nº 4.963/2021, em operações conduzidas com instituição autorizada e supervisionada pelo Banco Central.

Cláudio Castro jamais integrou qualquer comitê de investimentos do Rioprevidência, não participava das decisões técnicas da carteira da autarquia e nunca exerceu função operacional relacionada aos investimentos realizados pelo instituto, o que demonstra a autonomia técnica dos executivos e órgãos internos responsáveis pelas análises e deliberações.

Assim que surgiram questionamentos sobre operações envolvendo o Banco Master, o próprio ex-governador determinou a adoção imediata de medidas de apuração e controle, incluindo o afastamento da presidência do Rioprevidência e a instauração de procedimento interno pela Controladoria-Geral do Estado.

Cabe ainda ressaltar que, em dezembro de 2025, houve o resgate de aproximadamente R$ 1,4 bilhão de fundo administrado pelo Banco Master, garantindo a proteção do patrimônio previdenciário dos servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro.

As compras de Letras Financeiras do Banco Master foram encerradas ainda em 2024. Não houve novos aportes após determinação do TCE-RJ. O Fundo Arena foi integralmente resgatado em 2025, sem qualquer prejuízo ao Rioprevidência, e o Fundo Revolution teve pedido de resgate realizado pela autarquia em janeiro de 2026.

Importante destacar que todos os recursos investidos nos fundos ligados ao Banco Master que foram integralmente recuperados já foram ressarcidos ao caixa do Estado. Parte desses valores, inclusive, foi utilizada para garantir o pagamento da folha previdenciária.

A defesa reafirma sua confiança no completo esclarecimento dos fatos e no trabalho das instituições”.

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