
Integrantes do alto escalão da gestão petista desdenharam, de forma reservada, das possíveis repercussões da reunião entre o congressista Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente estadunidense Donald Trump, ocorrida na terça-feira (26) na Casa Branca.
Nos bastidores, auxiliares do chefe do Executivo brasileiro classificaram o registro fotográfico do parlamentar com o líder americano como “mais um presente para Lula”. A estratégia traçada pelo núcleo do Planalto consiste em explorar esse material visual para consolidar a tese de que o senador e postulante ao Palácio do Planalto mantém uma postura “vassala” diante da administração dos EUA.
Para a cúpula lulista, a agenda internacional mobiliza exclusivamente o núcleo radical do oposição, sendo vista como uma atitude que gera rejeição entre o eleitorado moderado, segmento considerado vital em disputas presidenciais marcadas pelo equilíbrio.
Conforme antecipado pela coluna de Igor Gadelha, o político brasileiro foi recepcionado por Trump diretamente no Salão Oval, o gabinete principal da Casa Branca. A comitiva era composta também pelo deputado Eduardo Bolsonaro e pelo comunicador Paulo Figueiredo.
Segundo Figueiredo, a audiência ultrapassou o período de 60 minutos. O influenciador detalhou que o trio ingressou no edifício por volta das 15h da terça-feira, retirando-se às 16h40.
O esforço de Flávio visa utilizar esse evento como um escudo para diminuir o desgaste político enfrentado recentemente, após a exposição de seus laços com o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Membros da pré-campanha voltada à reeleição de Lula adotaram uma postura de cautela e subestimaram os efeitos da visita. O comando estratégico optou, inicialmente, por não emitir comunicados oficiais sobre o episódio.
A diretriz entre os correligionários do PT é observar o desenrolar das reações populares, mantendo o foco do debate público em pautas como a discussão sobre a jornada laboral 6×1 e os questionamentos acerca dos vínculos entre o senador e o controlador do Banco Master.