Teses, FAQ e até “prisômetro”: defesa de Deolane cria site para rebater elo com PCC

O site disponibiliza teses de juristas favoráveis à defesa, responde perguntas básicas sobre o inquérito do qual ela é alvo e tem até mesmo um “prisômetro”, que é um cronômetro que contabiliza há quanto tempo a influenciadora está detida

29/05/2026 às 09h37
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Metrópoles
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Reprodução: Agnews
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Além de pronunciamentos públicos e múltiplos habeas corpus impetrados à Justiça, os representantes legais de Deolane Bezerra inauguraram uma página virtual dedicado a refutar as alegações de vínculos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

O site disponibiliza teses de juristas favoráveis à defesa, responde perguntas básicas sobre o inquérito do qual ela é alvo e tem até mesmo um "prisômetro", que é um cronômetro que contabiliza há quanto tempo a influenciadora está detida.

A jurista e criadora de conteúdo foi presa em 21 de maio, em meio a uma ação policial que também teve como alvo Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, identificado como o chefe da organização. Ela é suspeita de lucrar com uma transportadora montada pela cúpula do bando e de participar de esquemas de ocultação de bens ilícitos.

“Inquérito Deolane”

No domínio deolaneverdades.com, o público encontra o “inquérito Deolane” e “todas as perguntas e respostas que você precisa saber”. O espaço digital, compartilhado com o Metrópoles pela família, enfatiza que ela ainda não prestou esclarecimentos sobre o cerne das imputações, todavia, ao ser interrogada pela polícia na quarta-feira (27), Deolane optou pelo silêncio, seguindo recomendações de seus advogados.

Na audiência de custódia, cujo propósito é verificar eventuais falhas procedimentais na prisão, a advogada declarou ter recebido R$ 24,5 mil da empresa citada como sendo fruto de seus honorários. Ela alega ter exercido o ofício de defesa para um suposto membro do grupo.

O site reúne essa e outras 30 justificativas que, na visão da defesa, indicam fragilidades nas conclusões policiais. “Nosso objetivo é contrapor as narrativas veiculadas na imprensa sensacionalista com as provas reais e técnicas que constam nos autos oficiais”, afirma a defesa no portal.

Conforme o time jurídico da influenciadora, “a maior parte das acusações baseia-se em presunções e na proximidade de relações de terceiros”, carecendo de evidências diretas de ilicitudes praticadas por ela.

Os advogados destacam, ainda, que embora tenha sido indiciada pela Polícia Civil por associação criminosa e lavagem de dinheiro, o Ministério Público ainda não apresentou uma denúncia formal.

O Metrópoles apurou que o órgão ministerial prepara a acusação para os próximos dias. Após ser formalizada, a denúncia será analisada pelo magistrado da 3ª Vara Criminal de Presidente Venceslau.

Conexão com operador do PCC

A trajetória investigativa que levou à influenciadora passou por Everton de Souza, conhecido como “Player” ou “Temer”. Ele é apontado pelas autoridades como um facilitador e gestor de recursos financeiros do alto escalão do PCC, encarregado de cuidar do patrimônio e dos fluxos financeiros destinados a Marcola e Alejandro.

O elo entre Everton e Deolane Bezerra Santos é tido como fundamental para validar a teoria da polícia sobre a atuação da advogada na estrutura de lavagem de dinheiro da facção.

Everton administrava, nos bastidores, a Lopes Lemos Transportadora, entidade de fachada constituída a mando da liderança do PCC, de onde teria recebido R$ 28,7 mil. Ele instruía o administrador da firma a transferir valores para contas da influenciadora. Segundo as apurações, esses repasses compunham o “balancete” da organização, sem justificativa legal.

Em 2021, ao vasculhar o aparelho do sócio da transportadora, a polícia encontrou registros de transferências para Deolane efetuadas entre agosto e outubro de 2020, totalizando R$ 24,5 mil. A defesa sustenta que se trata de remuneração por trabalho jurídico.

Além disso, foram detectados mais de R$ 1 milhão em depósitos em espécie nas contas da influenciadora entre 2018 e 2021 sem comprovação de origem, valor que a defesa também atribui ao exercício da advocacia.

Deolane figura como representante legal de Everton em documentos policiais e até como testemunha em casos em que ele aparece como lesado. A proximidade entre os dois é reforçada pelo relato de Everton, que admitiu alugar um imóvel da advogada, situado no Tatuapé (SP), pelo valor mensal de R$ 5 mil.

Segundo agentes, relatos de dissidentes da facção e interações em redes sociais reforçam a ideia de um vínculo pessoal estreito, incluindo a participação de Everton em celebrações da família da influenciadora.

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