Advogado de Deolane minimiza 'confronto do século' ao rebater críticas sobre sua atuação no caso

Por meio de uma gravação em seu perfil, o docente da área penal enfatizou sua vasta experiência em casos de alta visibilidade e sustentou a necessidade de se entender a função constitucional inerente à advocacia no âmbito penal

29/05/2026 às 10h44
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Redes Sociais
Reprodução: Redes Sociais

O renomado advogado criminalista Aury Lopes Jr., que recentemente incorporou-se à equipe jurídica de Deolane Bezerra, recorreu aos seus canais digitais para discorrer sobre a repercussão midiática do episódio e contra-argumentar as censuras que enfrentou ao aceitar o encargo.

Por meio de uma gravação em seu perfil, o docente da área penal enfatizou sua vasta experiência em casos de alta visibilidade e sustentou a necessidade de se entender a função constitucional inerente à advocacia no âmbito penal.

“Estou nessa vida há 32 anos. Já trabalhei em muitos casos, com mais mídia, menos mídia, clientes mais expostos, menos expostos. Isso é uma coisa que a gente está acostumado a lidar”, pontuou.

Um dos tópicos centrais elencados por Lopes Jr. foi o modo como setores da sociedade reagiram à sua assunção na causa. Conforme o especialista, os apontamentos negativos ignoram a natureza da missão advocatícia em pleitos criminais. O jurista sublinhou, ainda, que o exercício profissional jamais deve ser equiparado a uma eventual anuência com os atos imputados ao representado.

“O fato de eu defender alguém significa apenas que eu estou fazendo o direito de defesa que ela tem, todo o direito fundamental de ter. Não se pode confundir a figura do advogado com a figura do cliente”, argumentou.

Aury destacou que, ao longo de sua trajetória, já esteve envolvido em demandas de grande gravidade e que, em diversas situações, indivíduos pré-julgados pelo tribunal do júri popular foram, ao final, inocentados pelo Poder Judiciário.

Na mesma publicação, o advogado abordou as hostilidades virtuais que surgiram desde o anúncio de sua contratação. Sem personalizar as críticas, ele as rotulou como infundadas e justificou que muitas dessas opiniões emanam de internautas que desconhecem os pormenores jurídicos e os fatos do inquérito.

Em contrapartida, expressou gratidão pelo suporte recebido de alunos e admiradores de sua carreira acadêmica e jurídica. Na sua visão, esse acolhimento na rede tem se mostrado fundamental frente ao impacto do caso.

“Eu fico muito feliz quando vejo as pessoas me defendendo e dizendo: ‘você não sabe o que está falando’ para quem faz críticas sem conhecer o processo”, salientou.

Negação de rivalidade com o Ministério Público

Outro ponto de destaque foi o refutamento de narrativas difundidas na web que tentavam transformar sua atuação em um duelo particular contra Lincoln Gakiya, promotor de Justiça e referência na luta contra o PCC. Recentemente, conteúdos audiovisuais e publicações na internet passaram a descrever o litígio como um suposto “confronto do século” entre as partes. Aury rechaçou tal ideia.

“Eu não achei legal muitas montagens que fizeram ali, do confronto da década, do século, nem sei de quantos anos é o confronto”, asseverou.

Para ele, a dinâmica entre quem acusa e quem defende é puramente técnica.

“Eu estou fazendo meu trabalho, ele está fazendo o dele. Ele é um cara competente, sério, está nessa luta há muito tempo. A polícia também. Todos aqui estão trabalhando. Não existe esse confronto”.

O criminalista acrescentou que é incerta até mesmo uma interação presencial entre ele e o promotor no curso do processo, visto que discussões sobre o foro competente da investigação podem modificar a tramitação. “Não existe essa personalização”, reforçou.

Esforços pela liberdade

A adesão de Aury Lopes Jr. ao time de defesa acontece no momento em que se busca a revogação da custódia preventiva de Deolane. A influenciadora é um dos alvos da Operação Vérnix, que mira um suposto sistema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa.

Embora tenha acumulado processos infrutíferos junto ao Tribunal de Justiça paulista e ao Supremo Tribunal Federal recentemente, o corpo jurídico prossegue em busca de caminhos legais para questionar o encarceramento e as evidências reunidas pelas autoridades. Ao encerrar o vídeo, Aury reiterou sua permanência no caso e fez uma defesa enfática do ofício criminal.

 

 
 
 
 
 
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