
A Polícia Civil de São Paulo apontou, em relatório final da Operação Vérnix, que a advogada e influenciadora Deolane Bezerra teria participado de um projeto de expansão internacional de uma estrutura empresarial investigada por suposta lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo o documento concluído nesta última sexta-feira (29), um dos próximos passos do plano seria a aquisição de uma administradora de investimentos por meio de uma empresa vinculada a um fundo sediado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Para os investigadores, a medida teria como objetivo ampliar operações fora do Brasil e facilitar a entrada de recursos estrangeiros em negócios associados ao grupo criminoso investigado.
De acordo com a polícia, a estratégia representaria a etapa mais avançada de um processo de reorganização empresarial que incluía a criação de holdings em formato de "cascata", mecanismo que, segundo os investigadores, dificultaria o rastreamento da origem dos recursos movimentados.
A apuração também menciona que a estrutura em desenvolvimento buscava oferecer proteção patrimonial e atender exigências regulatórias relacionadas à plataforma de apostas zeroum.bet.br, citada no relatório.
Deolane foi presa no último dia 21 de maio em sua residência localizada em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. Após ser encaminhada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a influenciadora passou por audiência de custódia por videoconferência e teve a prisão preventiva mantida pela Justiça.
As investigações passaram a focar na advogada após análises financeiras identificarem movimentações consideradas atípicas entre os anos de 2018 e 2021. Segundo informações do Ministério Público de São Paulo, contas ligadas à influenciadora teriam recebido dezenas de depósitos fracionados, método frequentemente investigado em casos de ocultação da origem de recursos.
Os investigadores afirmam que mais de 50 transferências foram realizadas para contas relacionadas a Deolane, totalizando aproximadamente R$ 700 mil no período analisado. Outro ponto destacado pela polícia envolve a suposta criação de 35 empresas registradas em um mesmo endereço em Martinópolis, no interior paulista. Conforme o relatório, as companhias funcionariam como empresas de fachada destinadas a dificultar a identificação da origem dos valores investigados.
A defesa de Deolane Bezerra nega as acusações e sustenta que a influenciadora não participou de qualquer atividade criminosa. O caso segue em tramitação na Justiça.