Tela Brasil: streaming de Lula tem mais de 500 filmes e custou 9 milhões em sua criação

Esse montante cobriu desde a aquisição de direitos de exibição até a infraestrutura digital, recursos de inclusão, seleção de títulos e administração operacional

01/06/2026 às 13h27
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
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Reprodução: Ricardo Stuckert/PR
Reprodução: Ricardo Stuckert/PR

No último sábado (30/05), o chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acompanhado pela ministra da pasta da Cultura, Margareth Menezes, inaugurou no Rio de Janeiro o "Tela Brasil". Trata-se de um serviço de streaming público e isento de custos dedicado exclusivamente à cinematografia nacional, cujo evento de apresentação ocorreu no Rio2C, na Cidade das Artes, zona oeste carioca.

O aporte financeiro destinado à viabilização do projeto atingiu cerca de R$ 9 milhões no biênio 2024-2025. Esse montante cobriu desde a aquisição de direitos de exibição até a infraestrutura digital, recursos de inclusão, seleção de títulos e administração operacional.

A página já nasce com uma biblioteca de 555 produções, abrangendo curtas, médias e longas-metragens, além de séries, compreendendo um período histórico de 1910 a 2025. Entre os destaques, figuram dezenove títulos que disputaram uma vaga no Oscar, além de obras fundamentais como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha, e o célebre Central do Brasil (1998), dirigido por Walter Salles.

A divisão do catálogo está estruturada da seguinte forma:

  • 267 produções de curta duração;

  • 139 longas-metragens;

  • 85 projetos de média metragem e telefilmes;

  • 64 séries;

  • 19 representantes brasileiros no Oscar.

A navegação é realizada através do portal oficial, mediante autenticação via Gov.br. Inicialmente, o serviço está disponível apenas na interface web, com a previsão de lançamento dos aplicativos para dispositivos Android e iOS em um prazo máximo de um mês.

A solenidade seguiu o formato de bate-papo, sob condução da jornalista Cissa Guimarães. O palco reuniu o mandatário e a primeira-dama, Janja, além da ministra Margareth Menezes e do ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa.

Em sua fala, o presidente enfatizou a necessidade de o brasileiro se reconectar com seu patrimônio cultural, contestando o domínio de produções internacionais de pouco valor artístico. “A quantidade de enlatado, de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite porque não tem outra coisa pra gente ver, não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, argumentou.

Ele também expressou críticas sobre a inclinação de parte da população em priorizar destinos globais em vez de valorizar as riquezas locais: “Por que que vai tanta gente pra Miami? Ninguém vai pra Amazônia”.

Durante o evento, ao dirigir-se ao prefeito Eduardo Cavalieri (PSD), que trajava um casaco das cores da seleção, Lula brincou que ele deveria exibir um emblema ressaltando que o verde e amarelo “não é bolsonarista”. Na sequência, convocou o campo progressista a retomar o uso das cores nacionais em eventos esportivos, evitando que a identidade visual do país seja monopolizada por correntes ideológicas opostas.

A abertura da plataforma foi oficializada pelo próprio presidente, ao lado de Margareth e da secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga. Um vídeo de divulgação foi transmitido e um QR Code disponibilizado para acesso imediato.

A construção do sistema ficou a cargo do Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais da Universidade Federal de Alagoas (NEES/UFAL), mobilizando aproximadamente 80 especialistas, com suporte de infraestrutura da Serpro. O ambiente digital é livre de anúncios e não utiliza algoritmos de monitoramento comportamental para fins lucrativos.

Como desdobramento da cerimônia, o Ministério da Cultura e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) oficializaram uma parceria técnica que incorporará, gradativamente, mais de 150 produções da TV Brasil ao acervo, totalizando um incremento de aproximadamente 3.000 horas de programação.

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