
A gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destinou R$ 80 milhões à promoção da iniciativa que propõe o fim do regime de trabalho 6x1. O projeto, que já passou pelo crivo da Câmara, encontra-se atualmente em tramitação no Senado. A estratégia de marketing, estreada em maio sob o conceito de “tempo com a família”, figura entre as campanhas publicitárias mais caras da administração federal atual.
Conforme apuração veiculada pela Folha de S. Paulo recentemente, o montante foi gerenciado pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), abrangendo a criação e propagação de conteúdos informativos em variadas mídias. Informações extraídas do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e ratificadas pelo próprio órgão evidenciam que esse aporte superou o orçamento de outras ações governamentais recentes.
Para fins de comparação, a cifra dedicada a esse tema duplica o valor empregado em 2025 para comunicar a nova faixa de isenção do Imposto de Renda, contemplando rendimentos mensais de até R$ 5 mil, e ultrapassa os R$ 45 milhões injetados na publicidade do programa Desenrola Brasil.
Em comunicado, a Secom esclareceu que não existe plano de elevar as verbas direcionadas a essas duas frentes. Segundo a repartição, “em ambas as ações, a veiculação abrangerá múltiplos meios de comunicação, indo além da TV e da internet”.
A pasta sustentou que o rateio do capital publicitário obedece a parâmetros objetivos, como índices de audiência, características do público, abrangência regional e heterogeneidade de canais, visando maximizar a eficácia da comunicação.
O esquema operacional vigente determina que a Secom estabeleça as pautas e transfira as verbas para agências parceiras. Geralmente, entre 5% e 10% do total cobre a confecção de materiais audiovisuais e impressos, ao passo que a fatia preponderante é alocada para a aquisição de mídia em veículos tradicionais e redes sociais.
Recentemente, a União intensificou a presença no ambiente virtual. O ação com marketing digital saltou de aproximadamente 20% para patamares superiores a 30%, fazendo com que o capital destinado a gigantes como Google e Meta suplantasse, pela primeira vez, as verbas de publicidade televisiva voltadas ao SBT e à Band.
Para além da discussão sobre a escala 6x1, o Executivo utilizou recursos de comunicação para propagar ações como o lema “Brasil Soberano”, os projetos Gás do Povo e Agora Tem Especialistas, além do reajuste na base de isenção do tributo sobre renda.
O volume financeiro empenhado pela União em publicidade atingiu, no ciclo anterior, o maior nível desde 2017. Aproximadamente R$ 1,5 bilhão foi reservado para fins institucionais, com R$ 924 milhões sob tutela da Secom e o restante majoritariamente aplicado pelo Ministério da Saúde.
Apesar dessa tendência de alta recente, a projeção para 2026 desenha um cenário de retração: prevê-se um montante de R$ 1,44 bilhão para a comunicação estatal no decorrer do próximo ano.